Multi-post – Nick Hornby

Fevereiro 9, 2010

Esse post é pra falar que depois de ler 20 páginas do “Alta Fidelidade”, já considero o Nick Hornby um Lost Wicked Twin. Além disso, fica a dica literária, ler esse livro tem sido uma delícia, e acho que se tivesse um pingo de tempo sobrando, tinha terminado em 1 dia. No momento, só li a caminho do show da Beyonce.

Esse post também é uma “quote para a eternidade”, seguida de um momento de reflexão (sim, nós também relfetimos):

“As pessoas se preocupam com crianças brincando com armas e adolescentes assistindo vídeos violentos. Nós ficamos assustados que uma cultura da violência vá se apoderar deles. Ninguém se preocupa com as crianças ouvindo milhares -literalmente milhares – de músicas sobre corações partidos e rejeições e dor e sofrimento e perda. As pessoas mais infelizes que eu conheço, romanticamente falando, são aquelas que mais gostam de música pop; e eu não sei se a música pop que causou essa infelicidade, mas eu sei que eles tem ouvido essas sad songs por mais tempo do que eles tem vivido suas vidas infelizes”.

Primeiro, desculpa a tradução, fui eu que fiz, ou não fiz, em algumas partes, pra efeito moral. Mas acho que essa quote é perfeita pro meu momento, e um pouco da Wicked Sis. Nada contra assistir 200 filmes por ano, ler 25 livros, ruminar letras de música até extrair todo o significado que ela tenha. Acho tudo isso muito digno, and lord kows que eu fiz isso por boa parte da minha vida. Mas one has to wonder, até que ponto parte da minha vida tem sido viver o sofrimento, e a relação, e o sentimento alheio. Não to sendo drástico, nada de parar de evoluir culturalmente e sair humping o primeiro estranho que você vê pela frente. Mas as vezes vale a pena colocar tudo que você aprendeu assistindo Sex and The City por longas 6 temporadas e um filme, em prática e, de fato, ter um relacionamento. Aplicar tudo aquilo que você aprendeu sobre amor, seja o brega, o carnal, o moderno, o minimalista, ou qualquer forma de amor que vc tenha lido/assistido/ouvido realmente se apaixonando.

Ou não. Volte pra cama e leia “Alta Fidelidade”. Vale a pena, até agora. E pra continuar o Multi-Post, um Coming Soon, de um filme indicado ao Oscar, cujo roteiro, também indicado, foi escrito pelo nosso querido Lost Wicked Twin Nick Hornby. O filme se chama “Educação” e a Wickes Sis já assistiu e gostou bastante. Fica a dica:

E pra finalizar, um “Musical Tuesday” tirado de um livro adaptado de um livro do Hornby, “Um Grande Garoto”. Adoro essa cena, ela é um tiquinho de spoiler, mas nada que estrague o filme, que é super divertido. Espero que gostem!


Musical Monday – Beyonce

Fevereiro 8, 2010

Ontem acordei despretensiosamente, e fui checar as notícias na internet e me deparo com 1001 críticas sobre o show da Beyonce, e como todo mundo imaginava, fiquei com água na boca e me chutando por não ter comprado ingresso. E foi around that moment que meu dia mudou e tudo foi entrando nos lugares quase como mágica.

Sabe aquele calor infernal e que eu teria que pegar num ônibus lotado até a HSBC Arena? O ônibus tinha ar condicionado. E dos bons, super deu vazão. Li meu livro em paz até a metade do caminho, não peguei nenhum bloco de rua fechando a rua, conheci uma pessoa super simpática que sentou do meu lado e batemos papo por horas, e depois na fila, e depois no shopping, e depois voltando pro show, e depois no show, e depois na farme. Encontrei amigos com quem sempre me divirto também, o que é sempre um plus. Eu perdi parte do show de abertura da Wanessa Camargo, mas cheguei a tempo de ouvir Lady Gaga. Apesar de tudo, meu lugar tinha uma visão ótima, não tava muito quente, não teve empurra-empurra. Enfim, tudo que eu podia esperar de um show, e mais.

Eu sei que é brega, mas hey, eu tava num show da Beyonce. Não quer brega? Fica em casa. Mas eu fiquei arrepiado várias vezes. A mulher canta muito. E grita, e dança. E sabe mexer com o público, saber brincar, ficar emocionada sem ser over (sem ser over é elogio aqui, vai?), e querendo ou não, você sabe todas as músicas porque elas estão em todos os lugares. E acho inteligente ela ainda não desligar a imagem da carreira solo MEGA bem sucedida (artista da década, hello?) com a das Destiny Child. Falta de humildade acaba com muita carreira solo.

A produção estava perfeita, Beyonce não levou nenhum tombo, a qualidade das projeções me deixou boquiaberto. É uma tela daquelas que eu quero no meu quarto. Como uma única crítca, acho que falou um pouco de unidade ao show. É tudo muito disperso. Eu achei que seria uma espécie de embate Beyonce vc Sasha Fierce, mas isso só acontece uma vezinha rapinho. Ou vídeos/realidade, uma coisa youtubish, mas isso acontece poucas vezes também. No fundo, no fundo, o tema do show é Beyonce, and thats it. A responsa tá toda nela, na imagem, nas coreografias e no vozeirão. E o show é incrível simplesmente porque ela dá conta do recado, ela é a diva mor da década, e sabe disso. É inegável que ela é O ícone pop dos anos 2000, como Madonna e Michael foram em outras décadas. É só colocar “Single Ladies” no youtube pra descobrir isso.

Mas como hoje é Musical Monday, e isso pede cena de musicais, colocarei Beyonce cantando uma das minhas músicas favoritas de Dreamgirls. E sugiro aprenderem a coreografia pro meu aniversário, porque essa com certeza vai tocar!


Top 5 – Clássicos imperdíveis para cinéfilos relapsos

Fevereiro 4, 2010

Atendendo a mais um pedido essa semana, do @rafucko (o melhor flooder do Twitter), que agora tem um blog BrinksTv, o tema é: “Clássicos do cinema que um estudante de audiovisual relapso e não cult TEM QUE VER. Mas que tem que ver MESMO. Bons!” As minhas escolhas foram bem aleatórias, talvez por isso tenha faltado um Kukrick, um Hitchcock, um Truffaut, mas fui fazendo escolhas pessoais, e acabei percebendo um padrão interessante, de filmes que utilizam a metalinguagem pra falar um pouco sobre a arte de fazer cinema. E mesmo quando não falam, são uma aula sobre cinema de tão incrível que eles são. E eis meu top de hoje:

5- O Ladrão de Bicicletas (Ladri di biciclette, 1948)

Esse é um filme absurdamente lindo, e comovente, que fala muito sobre a sua época, e é um perfeito exemplo do neo-realismo italiano. Sbrubbles, sbrubbles, I know. Mas acredito que quem assistir esse filme vai entender muito bem a influência desse filme no cinema como um todo. Posso fazer até um paralelo com “Amor sem escalas”, mas fica pra um post separado, qualquer dia desses (possivelmente nunca, já que aqui a gente é sincero). E pra quem tá contando os prêmios na temporada e se liga muito nisso, o filme concorreu ao oscar de roteiro, ganhou Globo de Ouro de filme estrangeiro, o prêmio de melhor filme do National Board of Review e dos Críticos de NY. Não é pouca coisa. Quer saber a história? Snif, aqui vai. Um pai e seu filho, snif, tem que achar uma bicicleta roubada, snif, fundamental para o trabalho que mantém o sustento da família. Aham, is that good. Lindo mesmo.

4- Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain, 1952)

Primeiro filme metalinguístico. Lembro que escrevi “Poucos filmes tiveram a sagacidade de parodiar o próprio gênero e ainda assim, ser um musical de primeira grandeza. Não satisfeito, ainda criou números musicais que eternamente serão a imagem principal associada a esses filmes. Gene Kelly foi certamente um dos maiores gênios musicais da história, se não o maior. Dançando na chuva é um momento clássico, irresistível, delicioso, um amálgama de tudo de melhor que os musicais podem oferecer, sem ofender a inteligência do telespectador (erro comum nessa época), sem estranheza. É simplesmente fantástico.” quando escrevi sobre meu Top Musicais. É o suficiente? rs

3- Crepúsculo dos Deuses (Sunset Blvd., 1950)

Mais metalinguagem. Mas primeiro quero dizer que adoro o título desse filme em português. E olha que é beeeeem diferente do título original, e eu normalmente acho isso ruim. Mas não nesse caso. O nome da rua não diria muita coisa pro público brasileiro e eles realmente usaram um título poético, mas que funcionou e é apropriado. Sobre o filme em si, a história de Norma Desmond, uma atriz da época do cinema mudo que vive reclusa numa mansão, crente crente que vai voltar a fazer sucesso. Ela conhece então um roteirista fracassado que vai ajuda-la a escrever um roteiro. Esse filme do Billy Wilder (que também fez o brilhante Quanto mais quente melhor) é sensacional, tem um roteiro muito bem construído, e uma das melhores atuações do cinema a não levar um Oscar, o da Gloria Swanson. Aliás, esse ano foi ferrado, porque ela concorreu com…

2- A Malvada (All About Eve, 1951)

… Bette Davis e Anne Baxter. E acreditem, nenhuma delas ganhou! Incrível, porque A Malvada é simplesmente um dos filmes mais bem atuados da história. Dos clássicos, é de longe um dos meus favoritos, e lembro de ficar com o queixo caído quando assisti. Ele é simplesmente fenomenal. A história, que hoje pode parecer banal, é sobre uma atriz que está envelhecendo em Hollywood, e que aos poucos começa a ser substituída pela evil life stealer Anne Baxter. Bette Davis é certamente uma das melhores atrizes da história, e ela não ter esse Oscar na estante é um absurdo sem igual. E perder pra Judy Holliday, convenhamos. Era muita atriz boa, e todas dividiram os votos. Mas esse eu recomendo de olhos fechados. E by the way, essa loirinha aí na foto é a Marylin Monroe em começo de carreira. E engraçado como mesmo atuando como uma porta, ela ilumina a tela. Quase que literamente. Difícil de explicar, é magnetismo total.

1- Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941)

E o melhor filme de todos os tempos também não ganhou Oscar. Mas esse é porque tem um babado por trás, vou contar só pra vocês. Parece que o Cidadão Kane era inspirado num cara chamado William Randolph Hearst, e que Rosebud, palavra chave no filme, seria uma referência ao clitoris (ewwww) da amante do cara, Marion Davis. O cara, um magnata, mega poderoso, fez de tudo pro filme ser um fracasso e não ganhar o Oscar. Mas sei lá, né? Tudo fofoca de bastidores. Fato que o filme é uma aula sobre como fazer um filme. Talvez não tanto pelo processo (parece que demorou 365 dias pra filmar, um cadinho demais pro meu gosto), mas cada frame desse filme foi muito bem calculado. Fica evidente que nunca ligaram a câmera e simplesmente filmaram. O uso da profundidade, e sbrubles, sbrubles, e tudo que a professora dizia na aula de História do Cinema, é tudo verdade. Tá tudo, lá, assistam porque nesse filme, o Orson Welles realmente se superou.

BONUS

Navalha Na Carne (1969)

Também já escrevi sobre ele, e vou copiar porque tenho muito trabalho, rs. “Esse filme foi uma ótima surpresa. Segundo a nossa pesquisa era pra ser estereotipado, e uma representação negativa. Por isso foi tão estranho ver o filme e perceber que é FODA. Um dos melhores filmes brasileiros que eu já vi. E pensar que isso foi feito em 69, (sem trocadilhos numéricos), sendo que o AI5 entrou em 68, plena ditadura militar… eu confesso que não faço ideia de como esse filme foi feito. O elenco é perfeito, com Emiliano Queiroz como o Veludo, Jece Valadão como Vado e Glauce Rocha como NORMA SUELY. Ok, quem viu o filme sabe que esse nome virou quase um bordão. É ótimo. E mostra uma coisa muito bacana do cinema, que as vezes você não precisa de muito pra conseguir fazer um filme digno de ser clássico. Basta um ótimo roteiro, personagens muito bem construídos e atores sensacionais. Fácil, né? O filme mostra a interação da “puta, do cafetão e do viado”, três personagens típicos do submundo, mais um tema típico do universo GLS no cinema. É mais um de tantos filmes baseados em peça, o que me faz pensar que os dramaturgos e escritores de livro (nesse caso Plínio Marcos, mas adicione a ele Nelson Rodrigues, Caio Fernando Abreu, Lúcio Cardoso). E gosto muito quando a Andrea Ormond diz que o Vando tem que lidar com o masculino de uma forma diferente. É bem bacana, e acho que nem o cinema mundial conseguiu algo tão contundente na abordagem homossexual quando esse filme eo próximo do top…”


Top 5 – Clássicos imperdíveis para cinéfilos relapsos

Fevereiro 4, 2010

Nosso querido amigo Rafael, que essa semana *finalmente* lançou seu hilário blog BrinksTv, deu a sugestão do Top 5 de hoje, que consiste em (nas palavras de nosso querido Rafucko): “Clássicos do cinema que um estudante de audiovisual relapso e não cult TEM QUE VER. Mas que tem que ver MESMO. Bons!” E mesmo com toda essa peneiração de ser absurdamente bom eu ainda estou até querendo arrancar meus cabelos pra tentar encaixar grandes clássicos merecedores de entrar nessa listinha.

Eu tentei ao máximo trazer diferentes gêneros e diretores, mas ainda assim não consigo abranger tudo que é obrigatório de se assistir para os não-cinéfilos que ainda assim apreciam ver bons filmes. Porque você não precisa respirar cinema e ver mais de 200 filmes ao ano pra pra entender e querer ver o bom cinema.

Espero que quem nunca assistiu fique na vontade e corra atrás. Já digo que cortei um da minha lista (e a do Fil, claro). Até porque essa foi a primeira vez que os twins compartilharam suas listas, pra serem 10 filmes “TEM QUE VER”. Acabei tirando dois da minha lista, just so you know! Então ai vamos nós:

5. O garoto (The Kid, 1921)


Por incrível que pareça, esse vai ser o único filme americano da minha lista. E acreditem, nada contra, eu poderia citar diversos filmes Hollywoodianos excelentes de todas as décadas clássicas, mas acabei elegendo esse aqui pra representar o que ha de bom e inovador no cinema americano. Charles Chaplin é certamente um dos maiores nomes no cinema, e dentre seus trabalhos, eu destaco o belíssimo “O garoto”. No filme, uma mãe em busca de melhores condições para seu filho, o coloca no carro de uma família rica. O problema é que o carro é roubado e logo que os bandidos percebem o que aconteceu, deixam o menino num beco. É assim que Chaplin e o tal menino se encontram. O filme é muito lindo, as interpretações perfeitas, e emociona como poucos filmes falados conseguem. Um clássico imperdível!

4. Sopro no coração (Le souffle au coeur, 1971)


Acho que a primeira vez que eu vi esse filme foi no ano passado, então sempre dá tempo de dar um “check” nessas listinhas, sem se sentir (tão) mal. Eu tenho vários aqui na minha. Mas ok, vamos falar do filme. De autoria de Louis Malle o filme conta a história de Laurent Chevalier, o caçula de três irmãos, que cresce no seu mundinho burguês (como define o imdb) e vive situações que na época chocaram, e muito, a platéia. Inclusive pela maneira como tudo é tratado no filme. Eu gostaria de falar um pouquinho mais desse filme, mas não quero dar spoilers aqui, fica pra um post crítico depois. Realmente obrigatório pra qualquer cinéfilo.

3. O porteiro da noite (Il portiere di notte, 1974)


Talvez o “must see” mais obscuro e menos visto da minha lista, mas tratando-se da minha pessoa, não tinha como esse filme ficar de fora. Dirigido por Liliana Cavani o filme conta a história de uma ex-prisioneira de campo de concentração que se apaixona por seu carcereiro nazista. Óbvio que o filme foi lançado imerso na controvérsia e foi proibido em diversos lugares. Mais motivo ainda pra estar na minha lista, já que eu adoro uma polêmica. O que importa mesmo é que o filme é fantástico e traz atuações absurdamente brilhantes de Charlotte Rampling (belíssima) e Dirk Bogarde. O filme tem uma cena famosíssima que inspirou um videoclipe da Madonna. Cuidado pra quem for baixar, pra não se deparar com o filme em italiano,  o áudio original é em francês! Nesse caso eu recomendo a compra do Dvd mesmo (experiência própria).

2. Hiroshima meu amor (Hiroshima mon amour, 1959)


Esse filme tem um sabor especial. Ao mesmo tempo que começa amargo, chocante, ele seduz o espectador, comove, apaixona, e no final deixa um gostinho prazeroso, de quem acabou de presenciar algo muito especial, de caráter atemporal. Alan Resnais rege o grande clássico, seu primeiro longa, precursor da nouvelle vague francesa, com uma sensibilidade que faz inveja a atual geração de diretores. São poucos os diretores de carreiras autorais tão bem sucedidos como Resnais, e pra mim, esse é o mais imperdível de seus filmes, e certamente o mais obrigatório pra todos os cinéfilos não-cults.

1. Persona – Quando duas mulheres pecam (Persona, 1966)


Se me botassem uma arma na cabeça e mandassem eleger o maior diretor de todos os tempos, eu acho que ia com o Ingmar Bergman. Então eu não tinha dúvidas que ele seria meu top clássico da vez, o problema foi a dúvida cruel entre colocar Persona ou Sonata de Outono… até o último minuto não sabia qual escolher. Eu simplesmente amo os dois filmes, e as atuações das “mulheres de Bergman”. Em Persona temos duas grandes atrizes: Bibi Andersson (13 filmes com o diretor) e Liv Ullman (10 filmes + 1 criança com o diretor, rs). Andersson interpreta a enfermeira Alma, que vai ao auxílio de Elisabeth Vogler (Ullmann), grande atriz de cinema que agora vive isolada e se recusa a falar. Não conto mais que isso não. Tem que assistir pra entender a grandiosidade da coisa. Bom filme!

BÔNUS:

Matou a família e foi ao cinema (1969)


Eu e Fil combinamos que cada um de nós teria direito a um bônus pra dar chance ao cinema nacional, e como eu e ele somos apaixonados por dois clássicos de 1969, resolvemos dividir. Eu fiquei com o maravilhoso filme experimental de Júlio Bressane, Matou a família e foi ao cinema. O filme já apareceu num post do blog (clique aqui para ler) então não vou me prolongar. Certamente vale conferir ou no Canal Brasil, ou no CCBB. Só cuidado pra não se confundir com “Matou o cinema e foi com a família”(rs) refilmagem do Neville D’Almeida. A menos que você queira rir da Claudia Raia de maiô tosco se esfregando na égua… exato!

E ai cinéfilo relapso, já viu tudo?


Crítica (literaria) – A professora de piano

Fevereiro 2, 2010

Acho que já tem uns dois anos que ganhei esse livro de aniversário do meu querido Step Twin. Assim como eu, ele também tem um gosto meio sórdido por filmes e livros, nesse caso se encaixa em qualquer uma dessas categorias. Eu demorei tanto a ler porque estava esperando estar psicologicamente pronta pra encarar o livro que inspirou o grande filme de Michael Haneke, A professora de piano (La pianiste, 2001), e que rendeu a uma das minhas atrizes preferidas o prêmio de melhor atriz em Cannes (filme também ganhou melhor ator e o prêmio do Juri no mesmo festival). Estou falando obviamente da maravilhosa Isabelle Huppert (cheers!).

Isabelle Huppert e Benoît Magimel no filme de Haneke.

Mas como a crítica é literaria, deixa eu esquecer meu filme preferido do Haneke, e concentrar no livro de Elfriede Jelinek, lançado em 1983, e vencedor do Prêmio Nobel da Literatura em 2004. Certamente um grande livro, disso não tenho dúvidas, e posso dizer que comecei bem 2010. Dois livros maravilhosos, cada um a sua maneira. Professora de piano não é uma leitura gostosa, prazerosa. De maneira alguma, e por isso fico tão indignada (e provavelmente a própria autora também) quando chamam o trabalho dela de pornográfico. Como ela mesma disse numa entrevista, como pode ser pornográfico se não existe prazer. E acredite, esse livro vai sufocar, te embrulhar o estômago, e querer parar every now and then pra ir beber um copo dágua e se distrair um pouco (o que também acontece no filme, que é fidelíssimo!).

Elfriede Jelinek

Apesar dos boatos de que o livro é autobiográfico, afinal, a própria Elfriede estudou piano por muitos anos, por vontades de sua mãe, com quem tinha uma relação muito complicada, e seu pai morreu internado num sanatório, ela insiste que existe sim partes que foram tiradas de sua vida, mas que não é autobiográfico. Erica Kohut é uma personagem que vai muito além dos maus tratos psicológicos sofridos por sua criadora. Complicado julgar, e melhor mesmo a gente acreditar que ela não seja essa personagem do livro, porque a fragilidade é cortante.

Como mencionei acima, a história de Erica gira em torno de sua complicada relação com a mãe super-hiper-ultra-controladora, com quem divide a casa, o quarto e até mesmo a cama. Sua mãe controla seus horários, as pessoas que vê, e que roupas vestir. Ao mesmo tempo que Erica se rebela, ela clama por controle e restrição. Sua vulnerabilidade entra em cena através do aluno Walter Klemmer, que diz estar apaixonado por ela.

Não vou contar mais do que isso porque esse é um livro único. Assim como o filme foi pra mim. Realmente muito marcante e bem pesado. Mas vale a pena, sem dúvida alguma.

Meu próximo livro? Tentarei algo mais light. Talvez meu próximo Nick Hornby ou o tal Clube do Filme, que tal?

obs: Acho que o livro não foi traduzido para o português, mas quem se animou com a crítica pode requebrar no alemão, francês ou inglês (que foi o meu caso).


Musical Monday – Gene Kelly e Jerry, o rato!

Fevereiro 1, 2010

Quando o Fil virou pra mim hoje e pediu com olhos cheios d’água, de joelhos, me prometendo ser meu escravo por 1 mês, que eu postasse o “musical monday” de hoje, admito que fiquei bem tensa. Até considerei abandonar os dias de escravidão do meu wicked bro, mas ai lembrei que eu também tenho minha cultura musical, embora não chegue aos pés do Fil. Enquanto minha especialidade é putaria indie e europeia, o Fil é expert em musicais, rs.

Antes que eu pudesse receber a dica incrível do Chris (vou deixar pro próximo MM), eu mesma lembrei de uma cena que foi muito marcante na minha infância e, por ser de um musical, deve estar valendo. Embora ninguém cante, é uma cena clássica, que de tão famosa, virou até paródia de Family Guy (que ficou ótima também, mas preferi ir com a original mesmo). Trata-se da cena de Anchors Aweigh (em português “Marujos do amor” – credo!), onde o personagem de Gene Kelly dança ao lado de Jerry, o rato chato de Tom e Jerry.

Algumas curiosidades involvem ser o primeiro filme que reune a dupla Fred Astaire e Gene Kelly, os grandes dançarinos da época auge dos musicais desse gênero Hollywodiano. Eles atuaram juntos três vezes, mas não me pergunte os outros dois que eu não sei. Deixo esse tipo de coisa pro Fil. Outra curiosidade dessa cena é que não deveria ser o Jerry dançando, e sim o Mickey Mouse, mas o Walt Disney não liberou, já que o filme ia ser distribuido pela MGM. Sinceramente, I don’t care. A cena é clássica demais pra se colocar qualquer defeito.

Pra quem nunca viu, não perca tempo pra dar um “check” na sua lista de “ignorâncias de não-cinefilos”:


Coming soon – The Runaways

Janeiro 29, 2010

No mundo dos cinefilos, estão todos ligados no que está acontecendo neste momento no Sundance Film Festival. Qualquer blog ou site de cinema que se preze está atualizando novidades diárias do que se passa por lá, e hoje tivemos uma boa notícia aqui pro Brasil: a Imagem Filmes comprou os direitos de distribuição do filme The Kids Are All Right, da diretora Lisa Cholodenko (High Art e Laurel Canyon). O filme entrou na programação do festival nos acréscimos do segundo tempo, e foi um dos mais falados, com boa recepção da crítica. Depois eu falo mais desse filme, senão vão ficar tristes quando descobrirem que esse post não vai ter um trailer do próprio, mas sim de outro filme que chamou muita atenção: The Runaways.

E já deixo avisado que não é exatamente trailer, mas teaser trailer ou avant trailer, aqueles curtinhos que as distribuidoras soltam bem antes do lançamento pra já começar o esquenta. No caso do filme sobre as roqueiras Joan Jett, Cherie Currie, e cia – que integravam a verdadeira The Runaways – existe a vantagem de ter Kristen Stewart no elenco. Como todos já sabem, a ex-indie-estranhinha que tem no currículo filmes bem legais, é também a Bella-cortei-os-pulsos da saga Twilight, o que acaba atraindo os flashs da imprensa mundial. Sem contar que no filme Kristen (que interpreta Joan Jett) dá uns amassos na vocalista Cherie (a ainda pirralha Dakota Fanning), e urina numa guitarra (ewwww). Então é bafão até não poder mais.

Quanto ao filme em si, os comentáros são favoráveis. Elogiam a atuação de Kristen, e admitem que o filme é divertido, e não tem pretensão alguma de ser algo mais. Então resta a Stewart ficar com a coroa de rainha da vez, por ter levado além do filme teen-rock, outro, que parece ser muito mais interessante, chamado Welcome to the Rileys (com os dois pesos pesados – no pun intended – James Gandolfini e Melissa Leo). No filme, ela interpreta uma stripper… Quero ver hein, Kristen? Vai ter que rebolar pra me convencer dessa.

Agora, chega de enrolação, vamos ao teaser:

Comentários?


Top 5 – Remember when they were good: Nicole Kidman

Janeiro 28, 2010

Como o Fil já explicou, cada um ficou com uma metade da laranja desse ex-super casal de Hollywood. Tenho que admitir que eu achava e Nicole detestável e não conseguia entender o que Tom Loser fazia com ela, na época. Mas depois da separação fiquei completamente apaixonada pela Nic e comecei a ver nela a grande atriz que *era*, a estrela, e como brilhou pós-divórcio, não demorou nem dois anos pra garantir o Oscar que seu ex-marido jamais conseguiu alcançar. O problema é que depois de uma ascensão meteórica, de um talento absurdo, ela caiu. E como dizem, quanto mais você sobe, maior vai ser a queda. Uma pena… Acho que foi tanto botox, que subiu pro cérebro e afetou a coitada, tanto na escolha dos filmes, como na atuação, que chega a ser “vergonha alheia” muitas vezes. Mas vamos ao top, porque relembrar é viver!

5. Um sonho sem limites (To die for, 1995)


Eu ia colocar De olhos bem fechados como o início do movimento “Nic is goooooood”, mas não dava pra deixar esse filme passar. Mesmo com todo o desprezo que tinha por ela, na época, tive que dar o braço a torcer e admitir que sua interpretação como a pirada Suzanne Stone Maretto é impecável! O mais curioso é que no livro de Joyce Maynard, a personagem diz que gostaria de ser interpretada no cinema pela “nova mulher do Tom Cruise”, que na época era ninguém menos que Nicole Kidman herself. Então desejo realizado, o queixo de todos foi ao chão, com uma performance tão perfeitamente afetada que desbancou a Perv-Nic de De olhos bem fechados.

4. Os outros (The others, 2001)


Eu lembro até hoje que fui ver esse filme no Fetival do Rio, numa época que eu era nova, ainda tava no colégio e não tinha amigos nerds como eu que viam 4 filmes por dia no Festival (não que eu consiga fazer mais isso, devido ao trabalho do dia-a-dia e a preguiça da “idade”). Mas foi realmente divertido ir até a tão distante Ipanema (rs) comprar um ingresso pra sessão da tarde, dar de cara com o letreiro “LOTADO” e ter que pedir autorização pros pais pra ver a sessão de 22hrs, que ainda tem ingresso disponível. Mas valeu a pena! O filme é sombrio, dei gritinhos-gays no escuro, e achei Nic brilhante no papel de Grace Stewart.

3. As Horas (The Hours, 2002)


Esse é um dos filmes “queridinhos” desse blog, como vocês já devem ter reparado. O Step Twin fez um post lindo das quotes pra eternidade que esse filme gerou, e são muitas. O sucesso do filme brota das atuações brilhantes de Julianne Moore, Meryl Streep e… Nicole Kidman, grande vencedora do Oscar de 2003, por este papel onde vive Virgínia Woolf nariguda. Mereceu? Não. Pra gente ela deveria ter ganhado no ano anterior, pelo filme nº1 dessa lista, e ter deixado esse pra Julianne Moore por Far From Heaven. Ainda assim, inesquecível (o que é a narração dela no final? Arrepios…).

2. Dogville (2003)


Quase, mas quase que essa interpretação, por esse filme maravilhoso, pegou a medalha de ouro e saiu correndo. Também me lembro de ver esse filme no cinema e como eu fui ficando puta, putassa, putaralha da vida com o que aquela cidadezinha estava fazendo com aquela mulher. Eu queria matar todos, tacar fogo em suas casas, torturar aquelas crianças, fazer todos pagarem pelo que tinham feito. E o que acontece no final? MuaHUaHuahuhaUha (risada ultra malígna)… Exato. Preciso dizer mais?

1. Moulin Rouge – Amor em vermeho (2001)


Alguém tinha *alguma* dúvida de que esse seria o meu primeiro lugar? Bicampeão da vez não? Melhor beijo cinematográfico e melhor filme da Nic, acho que nunca antes isso aconteceu no Wicked Twins. Mas esse filme merece. Uma das maiores roubadas da história do Oscar, perdeu melhor filme pra depois Chicago ganhar, e Nic ficou pra trás pra dar lugar a nega-maluca-xiliquenta da Halle Barry. O ano do Oscar negro, alguém (não) se lembra? Uma pena, pois o filme marcou o revival dos musicais, de uma maneira nunca antes experienciada. Porque assistir Moulin Rouge no cinema É uma experiência! Acho que toda nossa geração sabe cantar o Elephant Love Medley. Sem contar que foi meu record de vezes no cinema. Não vou contar qual foi pra não ser considerada ainda mais freak pelos coleguinhas né?

Até a próxima garotada. Bom brincar com vocês! rs


Top 5 – Remember when they were good… Tom Cruise

Janeiro 28, 2010

Sabe aqueles casais tão promissores, tinham tudo pela frente, fizeram filmes fodas, com interpretações que indicavam que o céu era o limite… Então, eis que agora se encontram no limbo. O top dessa semana vai ser melhores filmes de Tom Cruise (eu, Wicked Fil) e Nicole Kidman (Wicked Rafa). Quem sabe o Wicked Step Brother não faz um “Suri – Melhores Momentos So far”, né? Mas vamos ao top!

5- Entrevista com o Vampiro (Interview with the Vampire, 1994, Neil Jordan)


Confesso que esse filme permeou a minha imaginação por muito tempo. Sempre imaginei Brad e Tom dividindo o mesmo caixão e isso ainda assim era HOT! Hoje em dia, confesso que nem tanto. E embora Tom fosse totalmente errado para o papel e não tivesse nada a ver com a descrição do livro, ele ainda assim convence como o imortal Lestat, num dos melhores filmes de vampiros de todos os tempos. E esse filme tirou “Kinky Business” (as Wicked Rafa calls it) do top, mesmo ele de camisa branca e cuequinha dançando pela sala. Lembranças de aniversários passados.

4- Rain Man(Rain Man, 1988, Barry Levinson)


Esse filme é muito bom, e tem uma interpretação foda de um grande ator. E não, eu não estou falando do Tom. Mas ele não estraga o filme, então vamos dar um clap clap pra ele, shall we? E Rain Man está eternamente marcado na minha memória pela mímica precisa que Wicked Sis fez de Dustin Hoffman, fazendo minha família perder um pouco o interesse pela brincadeira. Fantástico!

3- De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut, 1999, Stanley Kubrick)


Dizem que esse filme enterrou o casamento dos dois. Que bom pra Nicole. Lembro que foi com esse filme que comecei a prestar atenção nela, e querer que ela fosse indicada pro Oscar. Tom, mais uma vez, não compromete. É até bonzinho no filme. Kubrick sabe extrair boas atuações, mesmo em filmes menores. E digam o que quiser, mas mesmo o trailer, com o casalzinho ao som de “Baby did a bad bad thing” já é sexy. Gosto muito.

2- Jerry Maguire, a grande virada (Jerry Maguire, 1996, Cameron Crowe)


Eu gosto muito de Jerry Maguire (embora odeie o Cuba Gooding Jr) e uma coisa eu tenho que admitir. Tom leva o filme nas costas. Não que o resto do elenco seja ruim, eu adoro a Renee Zellweger (um dos únicos no mundo, I know…) mas o filme é ele. Seu charme funciona como provavelmente nunca mais funcionou, e ninguém olhava pra ele e pensava: “Que megalomaníaco! Será que ele vai bater em alguém? Pular no sofá? Quebrar a mão da Oprah?” E até hoje me emociono com o “You had me at Hello”. Snif.

1- Magnólia (Magnolia, 1999, Paul Thomas Anderson)


Eu sei, eu sei, Tom é apenas um coadjuvante nesse filme, mas ele merece todos os meus comentários. Além de ser um filme FODA, um dos meus favoritos, e de um dos melhores diretores da atualidade, Tom está MUITO bem no filme. Foi até indicado ao Oscar (sabiam que ele foi indicado 3 vezes?) O roteiro é perfeito, e só reparei no volume da cueca na segunda vez que assisti o filme, de tão entretido que eu estava. Fora o resto do elenco sensacional, a trilha da Aimee Mann, a fotografia, a chuva de sapos… Perfeito.

Pena que o Tom não conseguiu manter a qualidade… But then again, nem Nicole conseguiu. Conclusão? Tom foi bom na década de 90, escolheu bons diretores, e soube escolher com quem contracenar. Homens e Mulheres. And here comes Nicole…


Crítica – Onde vivem os monstros (2009)

Janeiro 26, 2010

Taí um filme de 2009 que merecia ter entrado na minha listinha de Top 10, último post do ano passado, lembram (clique aqui em caso de amnésia)? Exato, eu estava esperando ansiosamente pelo novo filme de Spike Jonze (Quero ser John Malkovitch, Adaptação) e realmente não fiquei nem um pouco decepcionada, muito pelo contrário, acho que foi melhor do que eu podia imaginar: mais wicked, mais sombrio, e certamente mais tearful. Sai do cinema com a cara do Rudolph, inchada, de ter chorado o filme do começo ao fim. Fazia tempo que não me emocionava tanto publicamente, foi quase embaraçoso.

O filme é baseado no livro homônimo (em inglês, Where the wild things are) de Maurice Sendak, que não só escreveu como também ilustrou o livro lançado em 1963. Max é um garoto com grande imaginação e extremamente solitário. Buscando sempre um pouco de atenção da mãe e da irmã, que aparentemente não são o suficiente, Max acaba tendo reações extremas e violentas. Numa briga com sua mãe, ele foge e sua imaginação o leva para outro mundo, onde os tais monstros o nomeiam seu rei e pedem que Max os ajude a manter-se juntos, como uma família para todo o sempre.

Dentre os monstros, é Carol (voz do maravilhoso James Gandolfini, mais famoso por seu papel como o chefão da máfia em Família Sopranos) quem se apega mais a Max. Os dois passam a maior parte do tempo juntos, e compartilham a necessidade de criar um mundo perfeito para aqueles que amam, e quando algo sai do controle deles, ou não acaba como eles gostariam, acabam recorrendo a ações incoerentes. É na metáfora que o filme leva qualquer um com o mínimo de sensibilidade as lágrimas, ou quase isso. É preciso entrar no mundo dessa criança, não necessariamente um mundo de monstros, mas um mundo de solidão, de medo da perda, da necessidade do carinho e amor materno, e principalmente da compaixão e compreensão.

O elenco do filme é absolutamente estelar e conta com Catherine Keener, Mark Ruffalo, James Gandolfini, Cris Cooper, Forest Whitaker, Paul Dano, Lauren Ambrose, entre outros… Mas é no jovem Max Records que está o grande trunfo do filme. Que atuação brilhante e adequada. Não existe um momento de over acting, e tudo isso sem perder o tom infantil. Realmente um achado esse menino. Tudo isso no embalo da trilha sonora mais “fitting” dos últimos tempos: Karen O and the Kids (liderada por Karen O, vocalista dos Yeah Yeah Yeahs) dão forma ao filme, e são a catapulta para o mundo do outro lado da tela. Desde que assisti o filme tenho ouvido non-stop (inclusive enquanto escrevo esse post. Queria lembrar o que senti quando vi o filme. It is *that* good).

Recomendo a todos! E que por favor ao entrarem na sala do cinema tentem esquecer quem está em volta e realmente entender o que se passa ali. Tem coisas simplesmente preciosas, como a cena em que Max se protege na barriga de KW, ou tantas outras que gostaria de citar, mas não quero colocar spoilers no post, pra ninguém fugir com medo de ler algo desnecessário. Acho que não via nada “infantil/adulto” tão bonito desde Ponte para Terabitia (Bridge to Terabithia, 2007), que por acaso estava passando ontem na tv e reassisti (chorei baldes *again*. Esses filmes me destroem). Minha nota?

Nota: 9,5

Awuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu…