Crítica – Hedwig – Rock, Amor e Traição

hedwig_rock_traicaoDurante boa parte da minha adolescência, eu esperava ansiosamente pela revista da TVA. Lia todas as sinopses de filme, a procura de algum sinal de homossexualidade. Lembro de estar sempre ávido por mais informação, por identificação, algum sinal de normalidade em tudo que se passava na minha cabeça. E embora eventualmente eu achasse pérolas como “Beautiful Thing” e os meus primeiros filmes do Almodóvar (sempre no Eurochannel), o mais comum era assistir reprises de “Priscila” e “Wong Foo”. “Nada contra, clap, clap, to na mesma luta, mas eu não me identifico” (by André Fischer). 

Então, em 2001, já com meu primeiro namorado, quando ouvi falar em um filme sobre um transsexual obcecado por seu ex, que roubou suas composições e se tornou famoso as suas custas, esperava qualquer coisa, menos o que eu encontrei. 

Hedwig é muito mais que um filme gay. Ele vai além de qualquer nicho. Ele não é apenas um filme musical. Hedwig tem muitos níveis, e é maravilhoso em todos eles. Sua porção comédia, recheada de um humor ácido, é delicioso, e fundamental na construção do personagem. Assim como as músicas endossam os diálogos do filme brilhantemente. 

Tudo no filme está no lugar correto, de forma sensacional, e ainda assim, são coadjuvantes perto da interpretação de John Cameron Mitchell, também diretor do longa. Eu considero que é uma das melhores interpretações da década, e até hoje me emociono ao assistir. Na cena final, com Hedwig sem peruca, maquiagem borrada, eu sempre fico comovido. É um filme que me toca de uma forma diferente, ele me pega pela mão e me mostra sentimentos e sensações muito intensos.

Acho que no fundo, tem filmes que são assim. Eu lembro de assistir Marcas da Violência e pensar: é um filme bom, mas não me toca. Sei admirar as qualidades do filme, mas não é o MEU filme. Hedwig é o oposto. É quase chave-fechadura. Hedwig desperta coisas diferentes em mim. Tenho uma relação totalmente especial e única com ele, que eu sei que ninguém mais tem. Ele dialoga comigo. Naquele momento final, ele olha pra Tommy, e eu olho pra ele. É como quando eu saí chorando do cinema quase gritando “I CHOSE LIFE” ao final de As Horas. Filmes podem fazer isso com a gente, não é? E John Cameron Mitchell fez.

Nota: 10,0

5 respostas a Crítica – Hedwig – Rock, Amor e Traição

  1. É por isso que somos twins. Eu poderia dizer que o último parágrafo tinha sido escrito por moi.

    Como tb já comentei eu sai de As Horas pensando que era um dos filmes mais fortes e positivos que eu já tinha visto, embora todo mundo pense que se trata de um filme deprê.

    Sim, “I choose life”!

    Quanto ao Hedwig, sem palavras. Esse filme ainda me ensina tanta coisa. Ainda me dá “tapanacaraderealidade”, ainda me pega pela mão e me mostra que as coisas não são sempre como a gente quer, que o mundo pode ser injusto e que pessoas são apenas pessoas. Mais do que isso: “Know in your soul, like your blood knows the way, from your heart to your brain, know that ou’re whole” =~~~~

    (http://rafaeladias.wordpress.com/2008/04/03/hedwig-and-the-angry-inch-2001/)

  2. Felps diz:

    Propaganda de site alheio, deviamos apagar esse comentario ai de cima. ihihihi

    e oui, oui, somos twins 4eva!

  3. Arthur diz:

    Hedwig é um daqueles filmes que ainda ficam na sua cabeça muitas horas depois de passados os créditos finais. É um filme para se digerir aos poucos porque nos toca de diferentes maneiras. Entrou para os meus 10+, filme e trilha.

  4. Susana diz:

    Ei, fui eu que comentei! tava logado aqui como o Arthur, rs.

  5. Huahauhauhuahuahuha, eu fiquei mto tempo pensando “Nossa Arthur.. wow!” hauhauhauhauhaua.

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