Crítica Teatral (sim, a gente ataca em todas as áreas) – O Despertar da Primavera

despertar4_wallpaper_800-600

Eu sou um grande fã de musicais, e isso todo mundo já deve ter reparado. Ainda assim, não levava muita fé nessa peça. Esse tanto de jovens juntos cantando sobre as desventuras do primeiro amor, primeiro beijo, descoberta do sexo… cheirava muito a High School Musical versão alemã de 1890 (incrivelmente, época em que a peça foi escrita) . Ainda assim, Charles Moeller e Claudio Botelho tem crédito comigo. Não só por serem responsáveis pelo retorno da onda de musicais nos teatros brasileiros, mas pelo alto nível de suas produções, com destaque pra “7” e “Noviça Rebelde”. Então lá fui eu assistir a peça, que na sua versão americana para a Broadway ganhou uns 8 Tonys.

De cara, achei que não tinha errado muito. As coreografias e as músicas meio pop rock lembram vagamente um High School Musical Alemão, mas num bom sentido. Sem amadorismos, entretenimento de qualidade, e sem a superficialidade. A peça aborda temas bem mais obscuros do que apenas o primeiro beijo. É sexo mesmo, com direito a um “Gostoso é no boobs” pra minha Wicked Sis e uma naked butt numa cena bem legal, que encerra o primeiro ato. Pena que a cena se repete na abertura do segundo, o que tira um pouco a força da primeira vez. E isso é teatro, não precisa tanto de um “Previously, in Spring Awakening”.

No geral, gostei mais do primeiro ato. O tom está mais na medida certa, as incersões de comédia não me incomodaram tanto. Mas a peça é muito boa. O roteiro é bem afinado, a direção tem pequenos deslizes apenas, e o cenário é fantástico na sua simplicidade e utilização. A única coisa que realmente me desagradou foi o tom exageradamente cômico em toda a história envolvendo um personagem homossexual e na morte de um outro personagem. Foram pequenos detalhes, um tom de voz, uma pose histriônica, que não combinam com o resto da peça. Mas isso é pouco no contexto geral de uma obra bem bacana.

O elenco é um caso a parte. O protagonista, Pierre Baitelli, não é um primor cantando. Confesso que na primeira música, quando ele começa as primeiras notas, torci pra que a peça se centrasse em outro personagem vivido por Rodrigo Pandolfo (velho “amigo” de Teste de Elenco). Mas no decorrer, você percebe que Pierre é perfeito pro personagem, e não mudaria sua escalação de forma alguma. Uma coisa meio Johnny Depp em Sweeney Todd, ele não canta, mas carrega o personagem nas costas. Os únicos no elenco que realmente me incomodaram foram exatamente o casal de adultos, que interpretam todos os personagens mais velhos simplesmente mudando de roupa. Débora Olivieri e Carlos Gregório definitivamente são o elo fraco dessa montagem.

Destaco também uma cena linda, certamente a mais forte e mais impressionante de todo o espetáculo, a cena que aborda o incesto. Mesmo vendo Ilse em visão parcial, e com a uma amiga ao meu lado gargalhando, a cena é linda e comovente. E por cenas como essa, eu recomendo Despertar da Primavera.

Nota: 7,5

2 respostas a Crítica Teatral (sim, a gente ataca em todas as áreas) – O Despertar da Primavera

  1. Ponto_i diz:

    7,5!?!??!!?!!?!?!? SETE E MEIO?!!?!?!!?1? TA MALUCO!?!?!?!?!?!?

    essa peça é PERFEITA, PER-FEI-TA!!!! ouviu bem?!!??!?!!?

    As músicas são tipos, trilha sonora da minha vida e o Rodrigo Pandolfo, bem que vc podia me arranjar o telefone dele!! rs

  2. Quero mto ver, mas como a marcela ainda não arrumou os ingressos, continuo sentada esperando na minha falência-festival-do-rio

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: