Crítica – O fim do Festival do Rio – Parte 2

continuando… (pq o festival nem tá mais tão fresh assim)

1. Partir (Partir, 2009) de Catherine Corsini

Vai estrear, tem legendas em português na cópia já. É um filme francês, com a Kristin Scott Thomas, que parece ter decidido fazer filmes franceses depois do sucesso de “Há tanto tempo que te amo”, que rendeu até uma indicação ao Globo de Ouro pra ela. O filme começa bem, tem um acontecimento bem interessante, e meio que surpresa, que faz desenrolar toda a história. Kristin faz uma mulher que quer voltar a trabalhar, mesmo sem precisar, já que o marido é bem rico. Ele está montando um consultório de fisioterapia para ela em casa, e um dos pedreiros, vamos dizer assim, acaba atraindo a atenção dela. Num ponto que eles se apaixonam loucamente e ela começa a trair o marido. Eu particularmente não consegui acreditar muito no amor entre os dois, foi tudo meio rápido demais. O que me fez não me importar muito nem com a penca de problemas que eles vão enfrentar depois assim como o filme como um todo. É um filme razoável, mas dá pra assisitir em dvd, se você ficou curioso.

2. Alguma coisa a dizer (Quelque chose a te dire, 2009) de Cécile Telerman

Incrivelmente esse também já era legendado. E digo incrivelmente porque o filme é bem ruim! Tem uma história bem sem pé nem cabeça, cheia de coincidencias ridículas envolvendo filhos bastardos e pseudo-irmãos tendo caso, personagens desnecessários que só são necessários em 5 minutos de filme, uma trilha sonora inconveniente, enfim, não recomendo. E é com a Charlotte Rampling, que eu até gosto bastante, mas nem isso salva. Bom, um filme que não tem nada a dizer, tenta ser engraçado (a idéia era ser uma comédia – assim espero) e não consegue, e o público irrita mais ainda quando ri de qualquer coisa e você se pergunta: mas… qual foi a graça? (e olha que eu rio de tudo, quem me conhece sabe…)

Antes que o mundo acabe (2009) de Ana Luiza Azevedo

Filme brazuca, do Rio Grande do Sul, com roteiro do Jorge Furtado. Conta a história de um menino que não conviveu com o pai, mas foi muito bem criado pelo padrasto (que inclusive chama de pai) e pela mãe, e vive com a irmã numa cidadezinha do interior. O garoto, de 15 anos, vive uma relação não muito estável com a namorada, que começa a se envolver com seu melhor amigo. E o pai dele resolve então se comunicar, através de cartas. Ok, falando assim parece bem ruinzinho. Mas nem é. Diria que é uma sessão da tarde brasileira, bem legal até. Esperava bem menos, mas o filme é super bem feito, a irmã do menino é ótima, melhor atriz do filme rs (porque tem uns, que nossa… melhor nem comentar). Um filme bonitinho, com descontos no julgamento por ser um teen movie. Não dá pra esperar (e nem se propõe) altas reflexões sobre a vida, mas faz pensar um pouquinho. Mérito pra ele.

Histórias de amor duram apenas 90 minutos (2009) de Paulo Halm

Ok, mais um brazuca, e no chão do Odeon. Nem foi divertido. O filme é até engraçadinho, nas idas e vindas do personagem do Caio Blat na idéia de que sua mulher (no filme e na vida real) está tendo um caso com uma argentina. O filme fica nisso, e não passa muito disso. Não chega a ser ruim, mas não é nada de incrível. Achei bem mediano… Já o Silnedafil, curta que passou antes do filme, é genial! Se puderem, assistam. Hilária a tentativa da esposa fazer o marido tomar um Viagra para uma noite de sexo. E tudo tratado com muita naturalidade. Tanta que chega a ser engraçado. Ótimas risadas (mais do que no longa…).

A Fita Branca (Das Weiße Band, 2009) de Michael Haneke

Filme novo do Michael Haneke (vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes esse ano e que eu tinha recomendado aqui em outro post), que é um dos meus diretores atuais preferido. O filme se passa na Alemanha pré-Primeira Guerra (na verdade a guerra começa no fim do filme), e relata acidentes obscuros ocorridos no local. Haneke demonstra a partir do sistema de educação e religioso a sociedade que permitiria o surgimento da Alemanha nazista na Segunda Guerra. Ele retrata as crianças que seriam os adultos da década de 30. Bem interessante. É um filme longo, mas que não incomoda, porque é muito tenso. E com uma fotografia linda em PB, estragada pela porca exibição em cópia digital… Excelente filme, que vai entrar em cartaz, fato (já estava legendado).

Human Zoo (2009) de Rie Rasmussen

Filme de estreia de uma diretora dinamarquesa (que também é a protagonista) que fala, de acordo com ela, que foi lá apresentar o filme, várias experiências reais de sua vida misturadas com ficção. O filme aborda a trajetória de uma refugiada de Kosovo que se volta para o mundo do crime, ao lado do homem que a libertou na guerra, um sérvio. E fala paralelamente sobre a vida dela atualmente na França, onde conhece um novo amor, mas precisa voltar para os seus, digamos, “métodos” criminosos. O filme é muito bem feito, entretem, mas as vezes é meio confuso. Nada que atrapalhe, mas pode ter um roteiro mais arrumadinho. Um bom filme, mas nada incrível. Não precisa correr pra ver se estrear (e esse acho que não estreia não).

A terceira parte do mundo (Troisieme part du monde, 2008) de Eric Forestier

O que falar sobre um filme onde uma menina acha que a sua presença faz os homens que conhece serem engolidos pela força do buraco negro? Sem comentários ne… Só podia dar num filme muito ruim. É tipo uma tentativa de mix entre Matrix e 2001, que fica pior que Matrix Revolutions. Péssimo, pior do Festival. E insuportavelmente chato.

Corações em Conflito (Mammoth, 2009) de Lukas Moodysson

Filme do diretor de Lilja 4-ever, que ainda nem estreou nos EUA, se não me engano. No elenco temos o Gael Garcia Bernal fazendo par com a Michelle Williams. Ambos estão muito bem no filme, que lembra bastante Babel, sem conseguir ser melhor (o que não é muito bom, já que Babel não chega a ser extraordinário). No filme, Gael é uma espécie de executivo do mundo dos games, e viaja para a Tailandia para assinar um novo contrato, enquanto Michelle é uma médica muito ocupada, sem tempo para a filha, que acaba sempre com a babá, uma filipina, que é o outro drama que acompanhamos, que são os seus filhos vivendo sem a mãe nas Filipinas. Um bom filme, vale a pena conferir.

As ervas daninhas (Les Herbes Folles, 2009) de Alain Resnais

Filme novo do Alain Resnais. Maravilhoso, como sempre. O último dele, Medos privados em lugares públicos, eu já tinha adorado. Esse então acho que é melhor ainda. O filme acompanha um velhinho que acha uma carteira e que devolver pra dona. Mas ele fica cheio de obsessões sobre isso, liga para mulher, quer encontrá-la. Enfim, vira um stalker louco, sem nunca te-la visto. O filme é divertido, com uma direção de planos primorosa, e atuações ótimas. Imperdível, e vai entrar em circuito porque já está legendado.

4 respostas a Crítica – O fim do Festival do Rio – Parte 2

  1. Su diz:

    The White Ribbon é realmente incrível. “É um filme longo, mas que não incomoda, porque é muito tenso.” Não sei. Notei que algumas pessoas saíram no meio da sessão. Talvez pela duração, ou justamente por ser um filme tenso, que incomoda, sim. Toda aquela ética/moral cristã misturada com as idiossicrasias de uma cidadezinha corrompida. Nada apelativo, nada emocional de mais. Fiquei o resto da noite digerindo o enredo, a fotografia, tudo. É o tipo de filme que se sai da sessão em silêncio. Gostei muito.

  2. ftostes diz:

    É o Gaspard Uliel ali no pior filme do festival??? Quero ver!!!!

    Alias, quis ver quase todos, menos os que eu já vi. O human Zoo me pareceu mais chatinho, mas o das saias me deixou bem curioso, vou ver se tem pra baixar!

  3. O Quelque chose a te dire tá aplaudido sentado pelo Bonequinho! rsrsrs. Nós não nos entendemos mesmo com esse boneco😛

    Mas sério, eu to curiosa pra ver pq adoro a Charlotte Rampling.. mesmo estando um maracujá de gaveta.

    Já o filme do Gaspard Ulliel sei não hein? Mas ele é rei de fazer filme ruim…rs Já vi cada porcaria com ele que deus do céu.

    Quero mto ver o filme do Resnais… esse sim deve ser bom =D

  4. Acabei de assistir Mammoth (terceira tentativa) e credo: muito ruim! Babel não foi extraodinário, mas certamente foi melhor que esse filme.

    Mto previsível e não simpatizei com nenhum dos personagens. Ainda bem que não gastei meu dinheiro nisso.

    Mas ainda não passaria o pior filme do festival pra mim, que foi o novo do John Woo (A Batalha dos 3 Reinos). Desse eu sai no final… SAI DO CINEMA. Então fujam! rs

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: