Crítica – Cinderela em Paris (Funny Face, 1957)

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Eu adoro Audrey Hepburn. Já assisti quase toda a sua filmografia, e é com esse poder, e com todo amor no coração, que eu digo: ela não sabe cantar. Se eu tinha alguma dúvida depois de vê-la cantarolando Moon River no violão em “Bonequinha de Luxo”, esse filme não deixa dúvidas. E suas piores atuações estão sem dúvida nos musicais. Depois de “Funny Face”, decidiram dubla-la em “Minha Bela Dama”. Ainda assim, os filmes não seriam os mesmos sem ela, e eu não sonharia em mudar esse casting nem por um momento.

Hepburn É Funny Face. Fred Astaire ainda é genial? Claro. Kay Thompson é muito melhor cantora e rouba as cenas em que aparece? Com certeza. Você desgruda os olhos de Hepburn? Nem por um momento. E Stanley Donen, diretor que já havia trabalhado com Astaire em Noites de Núpcias, com Gene Kelly em Cantando na Chuva, tinha dirigido “On the Town” (Flashback pessoal pra um reveillon em Palm Springs onde eu muito bêbado assisti esse filme numa loja de conveniência, segundos antes de desmaiar numa banheira de hidromassagem), “Sete noivas para sete irmãos” entre outros, sabe o ícone que tem. E ninguém poderia interpretar um ícone fashion que durasse até hoje como Audrey Hepburn. Pra você ter uma idéia, o filme já tem 52 anos que foi filmado e os figurinos continuam impecáveis e muito pouco datados até hoje. Ponto pra atriz e pro seu estilista e amigo pessoal Givenchy, que criou as roupas utilizadas no photoshoot de moda do filme (e de muitos outros filmes dela, desde “Sabrina”).

Não me entendam mal, eu não acho Audrey Hepburn uma atriz ruim. Acho ela muito esforçada, mas acho que precisa de uma ótima direção de atores. Como Holly, em “Bonequinha de Luxo”, ela está perfeita. Assim como a Freira de “Nun’s Story”, como “Sabrina”, ou como a princesa de “Roman Holiday”. Ela mesmo dizia que se sentia uma atriz limitada, e chamar Givenchy pra fazer suas roupas era uma forma de entrar mais no personagem, de se cercar de artifícios que a ajudassem. E tenho que dizer que embora cantando ela não impressione, dançando ela é muito melhor do que eu imaginava. Além das linhas lindas que ela consegue, coisa de ex-bailarina, ela tem um número bem impressionante de dança moderna, de simples expressão corporal, bem incomum num musical desse porte. Aposto que deve ter deixado até Fred Astaire meio embasbacado.

O filme, no geral, é fofo. Um pouco machista, pro meu gosto, mas não podia esperar muito mais de um musical americano de 57. Vale pelo figurino, por Audrey, pelas danças, por Kay Thompson como um Diabo veste Prada embrionário, e por Paris, que ganhou um cartão postal em película, com um grande elenco.

cinderela

2 respostas a Crítica – Cinderela em Paris (Funny Face, 1957)

  1. Amei a crítica amore. Mesmo mesmo… E me sinto super mal porque não conheço um terço da filmografia da Audrey. Você precisa me emprestar uns filminhos hein? =)

    Ou podemos começar nossa sessão cinema…

  2. Marcela diz:

    ah!!!! me empresta fil!!!!??? please!
    e Rafa, eu tenho my fair lady….

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