A Batalha do GLAAD

Esse ano a TV americana começou muito bem pra quem gosta de acompanhar seus personagens gays favoritos. Os roteiristas parecem realmente esforçados em retratar os homossexuais com o respeito que merecem, e quem ganha com isso é o público. Mas o que mais me chamou a atenção foram dois episódios que mostraram temas parecidos de forma totalmente diferente. O resultado foi que ambas as séries foram brilhantes como dificilmente a TV aberta consegue ser, e eu virei uma menina de 15 anos chorando na frente do meu lap top nos dois episódios.

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O primeiro foi “Preggers”, episódio de “Glee”, uma série nova que vai ganhar um post próprio muito em breve. E se você não viu ainda o quarto episódio, quase uma homenagem a Beyonce (isso por si só já é bem gay), fica aqui meu SPOILER ALERT. Nesse episódio, Kurt (interpretado lindamente por Chris Colfer) arrasa dançando Single Ladies desde a abertura, e culmina na revelação pro seu pai sobre a sua homossexualidade. A cena final foi muito emocionante, não só pela aceitação, mas por toda a abordagem, a tentativa de “compensar” a sexualidade sendo bom em outros aspectos. Achei muito bonito e bem escrito. Imagino que episódios como esse toquem os adolescentes que estão em processo de aceitação de uma forma muito positiva. Fico me perguntando como eu reagiria se durante a minha adolescência eu tivesse acesso a séries assim.

O outro episódio foi o quinto de “Grey’s Anatomy”, chamado “Invasion”. Grey’s tem se superado, a meu ver. Pra uma série na sexta temporada, eles ainda estão em ótima forma, e a Shonda Rhimes tem se esforçado pra não deixar a peteca cair. Nesse episódio, apesar de não ser exatamente um coming out da Callie Torres (ela já tinha contado pro pai, e eles não estavam bem desde então), toda a discussão a respeito da religião foi bem bacana. Espero que alguns pais religiosos extremistas tenham tirado alguma lição desse episódio, porque foi muito legal. A Arizona, que já está me irritando um pouquinho, tirou mais uma história bonitinha sobre o passado pra fazer com que as reclamações dos outros pareçam despropositadas, mas é fato que quando ela está certa, ela está certa. E a conversa dela com o sogrão foi de partir o coração. Deu pra sentir que ela não falava só pro personagem, mas pra milhares de pais intolerantes. As coisas parecem se resolver fácil demais na TV, sei que está bem longe disso na vida real, mas não tem como não se sentir motivado com as melhoras significativas da TV americana.

callie-arizona

E o bacana de tudo isso é exatamente a pluralidade. Duas abordagens próximas, embora bem diferentes, em personagens tão bem construídos. Na TV temos gays pré-adolescentes (Ugly Betty), adolescentes (Glee), jovens de 20 e poucos (Ugly Betty), em relações mais maduras (Brothers and Sisters, Greys Anatomy, Desperate Housewives), isso pra não entrar em Torchwood, True Blood, The L Word, Greek, Skins, que são séries que eu ainda não assisto com freqüência. Mas é um forte indício que a TV americana está encarando a homossexualidade não apenas em quantidade como em qualidade. E não são séries rotuladas como “gays”, mas sim pessoas homossexuais imersas em uma sociedade, como deveria ser. A briga pelos GLAAD esse ano vai ser bonita de se ver.

3 respostas a A Batalha do GLAAD

  1. Esse episódio de GLEE foi realmente genial! E a dancinha Single Ladies foi absurdamente hilária…rsrsrs

    Quanto a Greys, eu adorei também a historinha. E vou admitir que a Arizona tb tava começando a get on my nervs, mas acho que agora melhorou um pouco. Acho que eles tentaram deixar ela mto likable, pra não ter o mesmo problema da lés anterior que desapareceu no estacionamento. rsrsrs

    Adorei amore. E quero ver seu post crítica de GLEE!😀

  2. Zuzu diz:

    Corri pro youtube pra ver os vídeos, rs!

  3. Eu tava achando Glee super chatona, não entendia o hype, até esse episódio, que eu acho que colocou a série nos trilhos. Sério, eles me ganharam com a cena do futebol americano e com a cena dele contando pro pai (foi mesmo ótima!).

    E amo como eles tratam a homossexualidade do Justin em Ugly Betty, e como em Brothers and Sisters, um novelão família (que eu adoro) na ABC (canal que eu acho meio bregão, não sei porque), tem o Kevin e o Scotty, um casal lindo e normal. A Globo podia aprender alguma coisa com eles. Gays em novelas são sempre estereotipados e insuportáveis. E os autores de novelas são gays! Go figure.

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