Musical Monday – Nine

Depois de uma musical extravaganzza no sábado, com a peça Hairspray (divertida, mais do que imaginei!), assisti Nine no cinema, e dancei Xanadu, The Wonders e Mamma Mia na noite carioca, nada melhor que um musical monday/crítica de Nine pra deixar os fãns ardorosos de musicais um pouco mais tranquilos.

Nine é bom. Difícil compará-lo com Chicago, ou Moulin Rouge, ou qualquer coisa recente. O mais próximo que consigo pensar é All that Jazz, mas ainda assim bem diferente. Nine é um filme sobre o processo criativo, sobre um homem tentando resgatar a sua inspiração, e busca isso nas mulheres que permearam a sua vida. E sim, mesmo com tanta mulher, eu ainda gostei do filme. É perfeito? Não, mas confesso que saí bem satisfeito do cinema.

Acho que o incomoda a maioria das pessoas é que as personagens femininas nunca são muito trabalhadas pelo roteiro. Fergie, Kate Hudson, Sophia Loren, Nicole Kidman e Judi Dench são simples escadas, que revelam uma faceta a mais do interessantíssimo protagonista Guido Contini. E se quase todas tem apenas uma canção e poucos minutos em tela, o que cada uma faz com o seu tempo é o diferencial. E aqui está exatamente o maior problema de Nine.

O elenco parece que encontrou uma regra: quanto mais plásticas, pior a atuação, e menos tempo de tela. Por isso a Sophia Loren consegue ser o elo mais fraco na construção de Guido, onde deveria ser exatamente uma das relações mais importantes da vida dele. É triste, e fiquei curioso em saber onde andam todas as divas italianas, pro Rob Marshall ter escolhido tão mal. Não o culpo, na verdade se me perguntarem: Qual a maior diva italiana da história, acho que eu também responderia Sophia. Mas é triste, a mulher não consegue fechar a boca, muito menos atuar. Cantar também foi sofrido pra ela, que não soube dar a graciosidade que a personagem pedia. Isso só não se tornou fatal para o filme porque Dame Judi Dench soube aproveitar a carência maternal de Guido e brilha num papel que poderia ter passado despercebido na mão de uma atriz menos eficaz. Aliás, é isso que ela faz de melhor, né? Pegar 5 minutos de tela e fazer valer a pena. Shakespeare Apaixonado que o diga. A Lillie que ela criou (uma Edna Moda na terceira idade), transmite todo o carinho e sentimento necessário, e é evidente toda a influência que a figurinista teve na formação do grande cineasta em crise. E a sua música fica muito mais charmosa, gostosa de ouvir, mesmo sem ter uma voz potente, com sua interpretação, entre o maternal e o divertido.

Kate Hudson tem uma única missão, que é “look pretty”. Mas possui uma das melhores músicas do filme, e soube aproveitar bem esse fato. Seu número é um dos mais divertidos, ela dança bem, é charmosa, canta direitinho, e a gente até esquece o fato que seu personagem é totalmente dispensável, e acho que nem existia na peça. De qualquer forma, “Cinema Italiano” é a única música escrita especialmente pro filme e estou louco de vontade de assisti-la no Oscar. Só espero que não estraguem, tem que fazer exatamente que nem no filme. Já Fergie, faz uma prostituta sem falas, que só canta. Apropriado. Pena que deixaram ela feia, mas ainda assim, seu número é lindo, bem dirigido, bem fotografado, e é uma das melhores músicas, “Be Italian”. Já Nicole Kidman, segundo lugar no número de plásticas, desaparece no mar de estrelas. Uma pequena participação, que chama mais a atenção por não chamar atenção nenhuma. Acho que o Rob Marshall pagou por Satine e recebeu __________ (coloque aqui qualquer lixo que a Nicole tenha feito nos últimos 3 anos).

E chegamos ao ponto alto do filme. Marion versus Penélope. Meu Deus, um homem tendo que escolher entre essas duas tem um sério problema. Até eu tenho que admitir isso. Penélope constrói uma amante difícil de se dizer não. Seu número é de longe o mais sensual, seu figurino é absurdamente lindo, e o que ela traz a tona sobre Guido é fundamental pra história. No fundo, Guido wants it all, e com isso vai destruindo, sugando, tudo de todos. Esse talvez seja a primeira atuação americana na Penélope que eu gostei, e ela estava a altura de disputar o amor do protagonista com Marion Cotillard, essa sim o maior destaque do filme. O primeiro número dela, “My husband makes movies”, é lindo, emocionante, e me fez querer que o filme fosse centrado apenas nisso. Luisa Contini é tão interessante quanto Guido, e a interpretação maravilhosa de Marion faz com que tudo se encaixe, a gente entende o porque dele ser apaixonado por ela, como ela consegue ser apaixonada por ele, os sacrifícios que esse amor impõe, o quão difícil essa relação deve ser. Fiquei muito interessado em filme sobre esse casamento, é de longe o auge do filme. E Marion acerta em cheio em todos os momentos que ela aparece. Aliás, deixo uma sugestão pro diretor: corta a Nicole Kidman e dá a música pra Marion. Sério, não faria falta nenhuma. E Marion merecia mais uma música (embora ela seja a única com duas), merecia um filme pra ela. Fora que a Nicole consegue tornar a música, que é linda, em algo totalmente apagado. No CD da trilha, tem até uma outra versão com um homem cantando, meio que mostrando: viu como era bom? Ela que não soube usar.

E deixo vocês com o trailer com música da Kate Hudson. Infelizmente não tem a música da Marion, mas recomendo baixarem a trilha e assistirem no cinema. Bom filme!

6 respostas a Musical Monday – Nine

  1. Julie diz:

    Li o seu post vendo o trailer de Nine! Pelo fato de ser um musical ele já me atrai e eu imaginei que muita estrela junta não poderia dar completamente certo, mas se ficou legal estarei lá! beijosss

  2. Tenho minhas dúvidas. Preciso assistir. Mas certamente não vou resistir a Marion Cotillard como Luisa Contini!

  3. Ai que eu acho musicais um chato, mas quero muito ver esse pelo elenco. Tô doido pra ver esse fight de Penelope x Marion.

    Ahhazzou, Fê.

  4. Assisti ontem e achei o filme ok. Melhor do que eu esperava. Acho que minha nota final era um 6.

    E o que realmente fez valer o filme foi a Marion. PRa variar. Ela está absolutamente sensacional como Luisa Contini. Deixou Penelope, Nicole e cia no chinelo.

  5. step twin diz:

    Eh, a Marion tah fantastica no filme. Adorei tb os numeros da Kate Hudson e da Fergie. Mas no geral o filme me pareceu uma colagem confusa de pedaços. Achei de regular pra ruim. Uma pena, pq tem uma fotografia fodona e momentos incriveis. Mas só “momentos”

  6. Renato diz:

    Um tédio amigo!

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