Crítica (literaria) – A professora de piano

Acho que já tem uns dois anos que ganhei esse livro de aniversário do meu querido Step Twin. Assim como eu, ele também tem um gosto meio sórdido por filmes e livros, nesse caso se encaixa em qualquer uma dessas categorias. Eu demorei tanto a ler porque estava esperando estar psicologicamente pronta pra encarar o livro que inspirou o grande filme de Michael Haneke, A professora de piano (La pianiste, 2001), e que rendeu a uma das minhas atrizes preferidas o prêmio de melhor atriz em Cannes (filme também ganhou melhor ator e o prêmio do Juri no mesmo festival). Estou falando obviamente da maravilhosa Isabelle Huppert (cheers!).

Isabelle Huppert e Benoît Magimel no filme de Haneke.

Mas como a crítica é literaria, deixa eu esquecer meu filme preferido do Haneke, e concentrar no livro de Elfriede Jelinek, lançado em 1983, e vencedor do Prêmio Nobel da Literatura em 2004. Certamente um grande livro, disso não tenho dúvidas, e posso dizer que comecei bem 2010. Dois livros maravilhosos, cada um a sua maneira. Professora de piano não é uma leitura gostosa, prazerosa. De maneira alguma, e por isso fico tão indignada (e provavelmente a própria autora também) quando chamam o trabalho dela de pornográfico. Como ela mesma disse numa entrevista, como pode ser pornográfico se não existe prazer. E acredite, esse livro vai sufocar, te embrulhar o estômago, e querer parar every now and then pra ir beber um copo dágua e se distrair um pouco (o que também acontece no filme, que é fidelíssimo!).

Elfriede Jelinek

Apesar dos boatos de que o livro é autobiográfico, afinal, a própria Elfriede estudou piano por muitos anos, por vontades de sua mãe, com quem tinha uma relação muito complicada, e seu pai morreu internado num sanatório, ela insiste que existe sim partes que foram tiradas de sua vida, mas que não é autobiográfico. Erica Kohut é uma personagem que vai muito além dos maus tratos psicológicos sofridos por sua criadora. Complicado julgar, e melhor mesmo a gente acreditar que ela não seja essa personagem do livro, porque a fragilidade é cortante.

Como mencionei acima, a história de Erica gira em torno de sua complicada relação com a mãe super-hiper-ultra-controladora, com quem divide a casa, o quarto e até mesmo a cama. Sua mãe controla seus horários, as pessoas que vê, e que roupas vestir. Ao mesmo tempo que Erica se rebela, ela clama por controle e restrição. Sua vulnerabilidade entra em cena através do aluno Walter Klemmer, que diz estar apaixonado por ela.

Não vou contar mais do que isso porque esse é um livro único. Assim como o filme foi pra mim. Realmente muito marcante e bem pesado. Mas vale a pena, sem dúvida alguma.

Meu próximo livro? Tentarei algo mais light. Talvez meu próximo Nick Hornby ou o tal Clube do Filme, que tal?

obs: Acho que o livro não foi traduzido para o português, mas quem se animou com a crítica pode requebrar no alemão, francês ou inglês (que foi o meu caso).

4 respostas a Crítica (literaria) – A professora de piano

  1. ftostes diz:

    Sou meio traumatizado com esse filme, imagina o livro! Só em imaginar uma gilete naquele local pavoroso… afe! Deve ser de matar de doer.

  2. Julie diz:

    Ai meninos, nunca tinha ouvido falar de nenhum! Mas vc certamente aumenta minha lista de filmes e livros que gostaria de ler/assistir…

  3. step twin diz:

    ahhh, vou te devolver o true blood (q nem tirei da estante hauahua) pra pegar esse😀

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