Crítica literária – O clube do filme

Pai deixa que filho abandone o colégio contanto que assista com ele três filmes por semana, de sua escolha. Vai, não tem cinéfilo que se preze que não fique minimamente curiosa pra saber o que vai sair dali. Ainda assim eu estava enrolando pra dar uma olhada nesse livro, mas minha hermanita querida decidiu me dar de natal, junto do meu novo (Nick) Hornby: Juliet, Naked (que comecei a ler ontem e em breve dou uns pitacos por aqui). Acontece que o livro de David Gilmour te deixa com um gostinho de propaganda enganosa, ao longo da leitura, e se concretiza como um livro pobre, que talvez funcione melhor como um filme de sessão da tarde.

Primeiro porque os filmes passam batido, o que é um alivio quanto aos spoilers, mas uma decepção quando se vê temas de filmes tão interessantes e profundos sendo analisados rasamente por um pai “boboca”, que é um termo tosco, mas que pra mim define Gilmour. Jesse, o filho, é também um menino superficial, que ao longo do livro não parece mudar em nada nesses três anos. Existe um breve questionário, feito pelo pai, que revela um certo aprendizado, mas ele não é sentido ao longo do livro, não é revelado.

Depois porque nada sai do lugar, ao que me parece, nada evolui. O pai diz que se pegar o filho com drogas, ele volta direto pro colégio, e duas vezes Jesse usa cocaina até sair pelas orelhas, pra dizer que a teoria não se aplica, já que foi o filho que admitiu o uso. Sério? Pelo amor de deus, que pai ouve esse argumento e pensa “Ah, então tá né?”. E eu ficava esperando ele passar um Trainspotting, ou Christiane F, ou até mesmo KIDS pra ver se o muleque tomava jeito, mas que nada, quando o garoto estava na pior ele resolvia passar amenidades e baboseiras.

Gilmour e o filho Jesse

Outra coisa que me incomodou bastante são as metáforas que Gilmour usa sem censura em três a cada quatro parágrafos. Chegou a me irritar tamanhamente que pensei em marcar essas passagens no livro pra dar uma geral depois e ter reais proporções da coisa, e olha que isso vai contra minha regra de livros (só podem ser lidos a 90°, nada de sublinhar, marca texto, ou o que seja).

Uma pena. A idéia é interessante e podia ter sido não só um livro para cinefilos, mas para aqueles que tem o desejo de se tornarem um, e saber por onde começar, quais filmes ver. A única coisa boa foi que me fez antecipar Interlúdio (Notorious, 1946) do Hitchcock, que é realmente sensacional, na minha listinha de “filmes a ver”.

Próxima crítica literária: Juliet, Naked de Nick Hornby. Assim que eu acabar de ler! rs

3 respostas a Crítica literária – O clube do filme

  1. Julie diz:

    Nunca tinha ouvido falar, mas não fiquei com vontade de ler, hehehe Confesso no entanto que a idéia é muito boa! Detesto idéias muito boas desperdiçadas… beijos

  2. Julie diz:

    Fil, eu ADORO procurar fantasia… O problema é que seu amigo Marcelo é um chato e acha que isso é concurso do Copacabana Palace! Hahahaha! Mas minha fantasia tá decidida, só preciso ajeitá-la! Fui pro sítio! Carnaval aqui foi bom? beijos

  3. ftostes diz:

    É, eu tava curioso pra ler esse livro. Menos um na minha lista. rsrs

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