Crítica – Coração Louco (Crazy Heart)

Crazy Heart vai ser sempre lembrado como o filme que deu o Oscar pro Jeff Bridges. Daqui a uns anos, numa mesa de bar, alguém vai perguntar: Não foi O Grande Lebowski? Não, por esse ele nem foi indicado. E The Last Picture Show? Não, nesse ele não ganhou. O Príncipe das Marés? Esse era o Nick Nolte (juro! Eu chequei no IMDB). Então Coração Louco, um pequeno filme com grandes atuações vai ter sempre esse mérito, coroou “The Dude”, como Wicked Sis constantemente me lembra. Um Oscar merecido e que já veio com atraso. Por sorte esse ano ele nem teve competição tão forte.

Tirando o Jeff, o filme é ruim? Não. Ouso até dizer que é o melhor filme sobre um cantor country que se afunda no mundo das drogas e encontra em uma mulher a razão pra dar a volta por cima desde Johnny e June. Música country não é meu forte (a menos que você REALMENTE ache que Dixie Chicks e Shania Twain são considerados country), mas a trilha não me incomodou de forma alguma. Não fica cansativo, principalmente devido a forma como o roteiro é construído. As cenas de palco são bem inseridas, acrescentam bastante pro desenvolvimento da história, seja na relação que Bad Blake tem com o público, seja pelo carinho que o pupilo Tommy Sweet divide o microfone com o seu mentor, e não é a toa que “The Weary Kind” levou também a estatueta de melhor canção.

Aliás, o roteiro de Coração Louco é… louco. Em alguns pontos ele é extremamente interessante e imprevisível, e em outros é bem falho. Gosto particularmente da construção do personagem do Colin Farrell, e consequentemente da relação entre ele e Bad Blake. Tava todo mundo pronto pra odiar Tommy Sweet e achar que ele usurpou de alguma forma nosso vovô Panetone, que quando ele finalmente aparece afetuoso, dedicado e querendo ajudar, fiquei desconcertado. Em compensação, o cara fica o filme inteiro a ponto de morrer devido ao alcoolismo, e a resolução dessa trama se dá em 15 frames. Como fruto de um lar desfeito devido ao alcoolismo, me senti irritado com a simplificação que o roteiro deu. Fora a cena Oscar da Maggie, que foi dúbia, quando era claramente pro Jeff Bridges ter feito merda, e da forma como foi filmado, parece que foi simples distração. Parece que faltou balls pro diretor colocar o protagonista fazendo merda de verdade.

Mas Coração Louco é bacana. Provavelmente o melhor filme sobre pessoa que já fez sucesso e está no declínio de sua carreira, abandonou um filho no auge, tem problemas de saúde, e se apaixona por mulher solteira com filho pequeno, vendo nela a solução pros seus problemas, a redenção que tanto necessita, desde O Lutador, do ano passado. É, mas O Lutador está a quilômetros de distância. Em comum, além dessas características que mencionei, só o brilhantismo das atuações de Jeff Bridges e Mickey Rourke.

2 respostas a Crítica – Coração Louco (Crazy Heart)

  1. Concordo com tudo e mais um pouco. Estava mais do que na hora do DUDE levar um Oscar pra casa, o cara é sensacional.

    Ele faz esse filme acontecer. Ele dá vida a essa história. Sem Jeff – THE DUDE – o filme teria passado despercebido pelo público e pela crítica.

  2. Julie diz:

    Pronto! Fiquei com vontade de ver! Vocês 2 são más porém deliciosas influências! Hahahahahahaha! Fil, achei a Mariah péssima tb! Hahahahahaha! Mas super contida em relação ao que eu esperava dela! Mas ela sempre exagera! Amigo, aliás, amigos, sempre que quiserem fazer um wicked comment lá no blog, fiquem a vontade! Sempre indicarei vcs!

    beijosss

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