Crítica literária: Como a geração sexo-drogas-e-rock n’ roll salvou Hollywood

Não me lembro exatamente quando foi a primeira vez que eu ouvi falar desse livro, mas coloquei na cabeça que ia ler quando meu chefão-mor recomendou o filme pra minha chefinha, rs. E o que ele contou do livro me deixou curiosa pra saber mais, e também porque meu chefe sempre espera que eu saiba tudo de cinema (seja nacional, americano, japonês, clássico, o que for) e eu odeio quando não sei do que ele tá falando. Sem contar que ele nunca ia recomendar alguma coisa que não fosse acrescentar ao meu conhecimento da industria de cinema, e que por trás disso estivessem bolinhos de dinheiro versus o talento e megalomania de diretores, que pra ser bem sincera não deve ter mudado tanto assim. Pelo menos eu conheço algumas pessoas do cinema brasileiro que se encaixam bem nessa categoria de “desumanos filhos da p*”.

Quanto ao livro, é genial. Ele realmente te faz entender o cinema dos anos 70 de Hollywood, que foi uma época de muita transformação, onde os diretores ganharam muito poder, e puderam realizar verdadeiras obras primas. É a “ascensão e queda do Império Romano”, nesse caso o momento onde os filmes de auteur se instalaram nos EUA, que vivia uma época de ode ao cinema europeu da nouvelle vague e do realismo italiano. Porém os americanos queriam criar sua própria identidade e foi isso que Coppola, Bogdanovich, Friedkin, e outros tentaram criar. E foi o ego e o abuso de substâncias ilícitas que provocaram a queda desses mesmos diretores. Dentre eles só vingou o cinema dos pipoqueiros, dos que buscavam o entretenimento massivo, a diversão, e os filmes barulhentos, vide Steven Spielberg e George Lucas.

Tubarão (1975) de Steven Spielberg, marca o nascimento do "cinema blockbuster".

E vou dizer que eu realmente aprendi muito lendo esse livro. Não só aprendi fatos históricos da indústria americana, fiquei pasma como conhecia pouco os personagens e os nomes apresentados no livro. Não fazia idéia do que era a BBS e sua importância pra esse cinema. Também não sabia que George Lucas tinha sido apadrinhado por Coppola, tinha sido seu assistente de direção e parceiro da produtora Zoetrope. Não sabia das maluquices de Bob Towne, Paul e Leonard Schrader, e muitos outros nomes que até então pouco significavam pra mim. E o mais importante, foi um grande head’s up pra qualquer pessoa que pense em entrar na indústria de cinema, seja como roteirista, diretor, produtor, ou distribuidor.

"A última sessão de cinema" (1971)

O livro de Peter Biskind é uma leitura obrigatória pra qualquer cinéfilo ou amante do cinema. Sem contar que é uma mini-enciclopédia de filmes que fizeram história e merecem ter visibilidade outra vez, como o belíssimo “A última sessão de cinema” (The Last Picture Show, 1971) de Peter Bogdanovich, ou o ultra-clássico “Touro Indomável” (Raging Bull, 1980), que por incrível que pareça foi um fracasso de bilheteria em sua época.

Acho que o tom do livro é nostálgico, de uma época em que o cinema norte-americano se tornou uma promessa de arte, uma referência de qualidade na sétima arte, e como o “tiro no pé” das grandes bilheterias elevou a ganância dos estúdios a sufocar a arte e concentrar nas fórmulas certas, nas continuações. Como é ainda hoje: os complexos de cinema, que exibem sempre os mesmos tipos de filmes, com 7 salas que exibem o mesmo filme, e não se abre espaço basicamente para a inovação e o desafio, que acredito serem extremamente necessários para excluir o cinema da categoria “lixo comercial/mental”.

Recomendo muitíssimo! Boa leitura a todos😉

6 respostas a Crítica literária: Como a geração sexo-drogas-e-rock n’ roll salvou Hollywood

  1. Julie diz:

    Esse livro parece beeem interessante! Já até conheço alguém que vai amar ganhar de presente!

    beijos

    Julie

  2. Dennis diz:

    jura q esse livro é bom?? sempre julguei mal por causa do titulo sensacionalista kkkkkkk

    mas olha vou te dizer q sempre desconfio mto d kem fala mal do cinemão. 1o pq nao gosto desses diretores dos anos 70 q todo mundo gosta tto (só o coppola q eu presto atençao, mas tipo nunca vi o poderoso chefão nem kero, e tem 1 boa parte do cinema dele q é WTF total kkk), 2o pq eu nao tenho mta esperança no cinema indie americano q nem vc (mas tb nao conheço mto, tenho preguiça… todd e jc mitchell sao uau, mas eles produzem mto pouco pra gente ter 1 visao + geral… e eles me parecem tb bem longe do resto do cinema indie americano + sussa), 3o pq tipo filme puro entertainement é legal. a vida sem tv me ensinou q nada como vazio mental pra melhorar a existencia, vc nao faz ideia da quantidade de lixo q eu vejo – e curto – pq eu *preciso d vazio*. e tipo, num mundo q a galera ama FUTEBOL, spielberg é filosofia, vai!

    mass acredito na sua opiniao, vou dar 1 folheada nesse livro numa biblioteca em algum dia q eu esteja kerendo procrastinar!! =)

    • amore, é realmente excelente. bafão atrás de bafão da época de ouro dos anos 70. o livro é excelente. e o título em português que é um lixo, mas esperar o que da ana maria bahiana? kkkkkkk

      quanto ao cinema por pura diversão, tb acredito e gosto. mas acho que o cinema indie está cada vez com menos espaço e essa é a tendência no mercado. ficar só com os festivais e distribuição de home video. o que é bem triste.

      e sou fazoca de carteirinha do cinema indie de lá. além do jc mitchell e do todd tem filmes mto bons pontuais, que devemos prestar mais atenção, como é o caso da Miranda July.
      🙂 bisous pro’c e viva o cinema indie!😛

  3. ftostes diz:

    youre soooo evil. É obvio que ng sabe o que é “BBS e sua importância pra esse cinema. Também não sabia que George Lucas tinha sido apadrinhado por Coppola, tinha sido seu assistente de direção e parceiro da produtora Zoetrope. Não sabia das maluquices de Bob Towne, Paul e Leonard Schrader, e muitos outros nomes que até então pouco significavam pra mim.” Logo, como ng quer parecer idiota, ou vai tentar ler a versão resumida no wikipedia, ou vai ser o livro por indicação sua (meu caso, I hope).

    Mas muito boa a crítica, é elogiosa e instigante a querer ler. Eu vou ver se compro!

    PS: Comprei hj o The Lovely Bones. im on a row…

  4. Litza diz:

    Oi, Rafaela. Sou a irmã-do-namorado-da-sua-irmã, tudo bem? Resolvi comentar no seu blog depois de ir parar nele duas vezes na mesma manhã. Um link leva a outro, entrei num blog que levava a um blog que levou ao seu. Depois vi no buzz da sua irmã e achei coincidência já ter visto no mesmo dia. Ou foi ao contrário? Bom, como vc estava falando do livro que eu tava lendo, achei que era coincidência demais e resolvi comentar. Gostei do texto, mas infelizmente abandonei o livro há uns dias. O Dennis Hopper tava me enchendo o saco. Talvez eu pule a parte Easy Rider e volte a ler.

    Ficou meio maluco o comentário, mas, enfim. Tá registrada a coincidência.

    Beijo!

    • E olha outra coincidencia, ontem eu fui tentar ver o Easy Rider, que ficou na lista pós-leitura, e DORMI! hahahaha. Sim, o Hopper era tão doido que dava raiva ler as maluquices dele.

      Sem contar que o filme foi tão premiado e ainda hoje é considerado uma obra prima que ao ler o livro comecei a me questionar sobre várias coisas do cinema “premiado”. Por isso mesmo achei o livro tão interessante.

      Se conseguir, retoma a leitura sim. Eu achei excelente, e aprendi muito com o livro. Vários casos de “Do not go there. EVER!” rs.

      Bjs!🙂

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