Crítica – As melhores coisas do mundo

Vou ser bem sincera, entre eu e meu wicked twin Fil, eu costumo me considerar a mais malvada quanto a esculhambar um filme. Então quando o Fil fala que gostou de um filme “suspeito” eu dou uma chance, mas nem sempre fico tão impressionada quanto meu twin. Felizmente, esse não foi o caso. Quebrei a cara bonito… E não, não foi o preconceito com cinema nacional que me fez pensar que o filme era uma porcaria, mas o trailer que passava toda hora no Cinemark e era bem irritante. Não dava nada pro filme. Mas ok, isso *ainda* é um problema no cinema brasileiro: fazer bons trailers.

O que importa mesmo é que o novo trabalho de Laís Bodanzki é um sério candidato a melhor filme nacional de 2010. Sensível, bem estruturado, sincero, e “redondinho”, a sensação ao sair do cinema é de que essas duas horas valeram cada centavo do ingresso. É certamente o filme de uma geração, ainda que não seja a minha. Imagino que se tivesse a idade dos personagens da história estaria dando um jeitinho de ver o filme pela segunda vez, pois é um olhar sincero sobre um universo que quase nunca é (bem) retratado nas telas do cinema. Tudo o que eles tem é Transformers, High School Musical e filmes de terror que ha muito tempo se perderam na fórmula. Um filme como “As melhores coisas…” é um maravilhoso refresco dessa onda de porcarias que a galera jovem (falou a velha) acaba aderindo.

A história gira em torno do universo de Mano (short for Hermano), interpretado pelo iniciante Francisco Miguez, o caçula de uma família que está se dissolvendo porque o pai resolveu sair de casa e se mudar com o namorado. O que por si só já é um tema super delicado, ainda mais quando tratado do ponto de vista de um adolescente. Mas o filme acerta por todos os lados: desde a relação mãe/filho de Denise Fraga (que está excepcional), aos amigos de colégio, e até a relação dos irmãos. E é ai que entra o ponto fraco da história: Fiuk, mais conhecido como “o filho do Fábio Jr” ou “o cara da Malhação ID” (seja lá o que isso significa). Eu entendo a opção da diretora em coloca-lo no papel, seria o único ator jovem com um apelo prévio a garotada, e ele tem mais seguidores no twitter que a revista Capricho e a Marimoon, rs.

Outro ponto forte é a melhor amiga de Mano, Carol (vivida pela também novata, Gabriela Rocha). A personagem se destaca em meio aos amigos “bobos” que os meninos costumam ter com essa idade, e se mostra a maior confidente de Mano, principalmente quando os dois jogam o jogo da verdade no ônibus quando voltam da escola. A amizade soa sincera e natural, cheia de tiques paulistas, que causam uma certa estranheza, mas depois você acaba acostumando com o jeito manow-de-ser. E não vou contar mais pra não spoilerizar o povo que eu tenho certeza se animou pra ver o filme antes que os exibidores tirem ele de cartaz (soon, very soon)!

Fiuk, galãzinho acaba sendo o (único) ponto fraco do filme.

Sei que o Fil me dá o poder de dizer que nós dois, Wicked Twins, recomendamos fortemente o filme em questão, e gostaríamos de incentivar o maior número de pessoas possiveis a ir assistir o filme, que está indo mal nas bilheterias e se não fizermos o boca-a-boca pesado agora, já era. Lá se vai um bom filme pelo ralo, enquanto todo mundo se amontoa nos cinemas pra ver Alice no País das Maravilhas, que é uma porcaria. Pra ter uma noção eu sai do cinema e apaguei o filme no segundo seguinte da memória, e o Fil, que foi ver 3D acabou pagando por um cochilo no ar condicionado, pois foi isso que o filme proporcionou a ele.

Então vamos lá pessoal, prestigiar um filme que é muito mais do que parece, e digo por experiência própria. Realmente quebrei a cara. Ainda bem! Adoro quando sou surpreendida assim, até porque acontece cada vez menos no cinema (e mais e mais nos filmes aleatórios que eu vou descobrindo all by myself na internet, e que provavelmente nunca vão chegar por aqui).

Nota da vez: 8,5 (teria dado 9 se o Fiuk fosse um bom ator).

7 respostas a Crítica – As melhores coisas do mundo

  1. Julie diz:

    Não estava a fim de ver pelo trailer (que realmente é meio sofrível, especialmente o da televisão) mas aí vocês começaram a elogiar e agora estou muito a fim! Relevo até meu nojinho pelo Fiuk (sério, não gosto, não gosto mesmo! O fato dele estar no filme foi um dos motivos que me desannimaram) e vou tentar assistir esse filme ASAP! Se eu pudesse ia hoje pq não tenho nada pra fazer…

    beijosss

  2. thassio diz:

    ainda nao vi, e nem li a crítica, rs, mas quem sabe este não será finalmente um filme p/ o qual ganho ingressos no trabalho q é bom?!
    😉

  3. O filme é excelente. Não espera ganhar o convite não, vá ver antes que saia de cartaz🙂

    Acabou de ganhar 8 prêmios no Festival de PE, incluindo melhor filme, direção, ator e roteiro.

    Mto bom! Vale o dinheiro do ingresso.

  4. Benny diz:

    O filme ridiculariza os “virgens”, mostra coisas erradas como coisas boas, falta de compromisso etc…

    não dêem dinheiro para ver um filme desse, melhor dar para uma instituição de caridade do que dar para um filme que vai indusir-lhe ao pecado

  5. “InduSir-lhe ao pecado”?

    Sério, melhor comentário ever. Feito no WICKED Twins nonetheless.

    s2 a internet! Vou retwittar >D

  6. ftostes diz:

    Dá pra uma instituição de caridade não, doa pro ensino dessa alma perdida aí de cima. rsrsrs

  7. […] experimentando a vida que ela pensa ser adulta”. Uma espécie de Melhores Coisas do Mundo (lembra?) mais leve e com um ponto de vista feminino. Lola, que leva o apelido de LOL, possui um grupo de […]

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: