Crítica – Toy Story 3

Crítica que escrevi pro Cineplayers, so, not so wicked. Mas é o meu filme favorito no ano:

Existem muitos motivos que levam uma continuação a ser feita. Durante o verão americano são verdadeiras febres, basta um filme ter feito sucesso moderado pra que as vezes mais dois estejam engatilhados, sem nenhuma preocupação se a história de fato renderia tanto. Muitas vezes, uma boa idéia acaba virando uma trilogia ruim, como em Matrix. Outras, uma visão diferente de um gênero saturado acaba se tornando mais uma franquia esticada até que pare de dar lucro, como Jogos Mortais. Mas muito de vez em quando aparece um filme como Toy Story 3, que apesar do apelo popular, é feito com grande afeição aos personagens e um bom roteiro.

O primeiro Toy Story foi um marco no cinema em 1995, sendo o primeiro longa feito 100% por computação. Sua continuação veio em 1999, mais de 10 anos atrás, e embora sejam sucessos de bilheteria, não são os mais populares dos filmes da Pixar. Ainda assim, assistindo o terceiro filme, percebemos que os envolvidos têm uma relação especial com Woody, Buzz, e todos os personagens do quarto do Andy. E é impressionante constatar que os filmes evoluíram muito. O primeiro é divertido, e apresenta os personagens. O segundo fortalece a nossa relação com eles, faz com que nos importemos. O terceiro é o perfeito equilíbrio entre todos os elementos que fizeram de Toy Story um sucesso. Seja pelo valor emocional, as cenas de aventura ou os diálogos sempre inspirados que dão personalidades aos bonecos.

Nesse terceiro filme, Andy está a caminho da faculdade, e os brinquedos estão preocupados com o que acontecerá com eles, se serão levados para o sótão, doados para uma creche infantil ou simplesmente jogados no lixo. É triste constatar que a vida daqueles brinquedos que tanto amamos se resumiu a criar planos que chamem a atenção do seu dono, e que por anos ninguém brincou com eles. O roteiro é muito eficiente em nos fazer importar com o destino dos personagens, em humanizar bonecos, e a fazer entrarmos no mundo de fantasia que eles criam.

Os filmes de Toy Story também sempre foram eficientes ao inserir novos personagens. Alguns dos melhores momentos do segundo filme envolviam Jesse, a cowgirl, que havia sido abandonada por sua dona, ou a Sra Cabeça de Batata, ou os vilões Stinky Pete e o Imperador Zurg. Agora somos mais uma vez envolvidos pelo metrossexual Ken, o ursinho cor de rosa Lotso, o assustador Big Babby, o dramático Mr. Pricklepants, entre tantos outros. Trazem um novo senso de humor, sempre inteligente, surpreendendo em algumas escolhas e conseguindo divertir crianças e adultos.

Também é interessante perceber o quanto nos envolvemos com Andy. Apesar de ser um personagem a princípio secundário, Toy Story é a história dele, e do seu amadurecimento, tanto quanto é a história de Woody, e da constituição de um grupo unido, uma quase família. Andy é parte importante desse grupo, e perceber que ele está crescendo, seguindo em frente, é de partir o coração, embora inevitável.

Pela primeira vez, não coube a John Lasseter a direção do filme. E embora isso possa parecer preocupante, ele ainda é responsável pelo roteiro, e você pode perceber sua influência em toda a produção. Lee Unkrich, que havia editado os filmes anteriores, e já havia dirigido Procurando Nemo e Monstros S.A., ficou responsável em manter a qualidade dos filmes anteriores e se superou no cargo. Muitos filmes de ação poderiam aprender um pouco com Toy Story 3, sobre como coordenar uma sequência de ação sem tremer a câmera e fazer cortes incompreensíveis e, ainda assim, manter a tensão. As cenas no lixão devem manter as crianças grudadas nas cadeiras, e certamente não vão entediar os adultos.

Toy Story 3 é um dos melhores filmes de 2010, uma animação que só consegue ser equiparada por outros filmes da Pixar dentro do mercado americano, ou a obras-primas mundiais como A Viagem de Chihiro, Persépolis e As Bicicletas de Bellville, ficando entre os mais recentes. É muito mais do que uma boa animação. É um grande filme.

E segue um videozinho super simples mas genial que a Pixar fez pra divulgar Toy Story. Espero que gostem!

5 respostas a Crítica – Toy Story 3

  1. carol patriarca diz:

    o engraçado é que quando eles digitam “what is beyond infinity” aparece no preenchemento automático “what is lady gaga’s real name” hahahaha

  2. Ain, quero mto mto ver esse filme. Preciso de cia e vc, sr Felipe, já assistiu sem a minha pessoa! hihihi.

    Mas ok, vamos remedir nossa falta de cinema juntos semana que vem🙂

    E adorei o videozinho final, esses caras são absurdamente talentosos e criativos. Tenho certeza que o filme não vai desapontar e vou choral baldes, rs.

  3. Zuzu diz:

    Ótima crítica, Fil!

  4. HDFilmes diz:

    assisti e recomendo filme muito bom mesmo

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: