Crítica – Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte I

Chega ao fim uma das mais longas e criativas franquias do cinema mundial. Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte I pretende abrir todos os caminhos para que ano que vem a série encerre com chave de ouro. Os estúdios prometem ainda o último capítulo em 3D (por pouco a parte 1 também não foi), o que deve gerar recordes de público ainda maiores. Aliás, disso a Warner não pode reclamar. Harry Potter foi sempre eficiente na hora de engordar os cofres. O que teve menor bilheteria, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, arrecadou quase 800 milhões de dólares pelo mundo. Harry Potter e o Enigma do Príncipe, o último lançado até então, chegou a quase 1 bilhão. As duas partes desse final pretendem bater todos esses números, e são bem capazes de conseguir.

Relíquias da Morte começa sem nem uma introdução. Muito justo, afinal foram 6 filmes antes, e se formos parar pra contar o que aconteceu nos capítulos anteriores, o filme, que já tem 2h30, ficaria ainda mais longo. Além disso, o diretor David Yates parece ter desistido de fazer um filme simplesmente comercial, onde qualquer um vá entender sem nenhum conhecimento prévio. Harry Potter é um fenômeno cultural, é um ícone pop, é o livro mais lido do mundo, perdendo apenas para a Bíblia, e sua autora é mais rica que a Rainha da Inglaterra. David Yates conta com isso, e sabe que nesse ponto, já passamos por toda a fase animais fofinhos, mágicas inocentes, e olhos brilhando com cada visita a Hogwarts. Em Relíquias, você já está apaixonado pelos personagens, ou pelo menos interessados neles. Você já conhece o universo em que eles vivem e até teme por eles. Afinal, nos últimos 3 filmes fomos “brindados” com mortes significantes nos últimos minutos. Aqui as mortes começam mais cedo, o que só realça a sensação de que ninguém está a salvo e a todo instante, com um simples Avada Kedavra, teremos mais um corpo estendido no chão.

Ainda assim, e esse é um problema recorrente na série inteira, Harry Potter tem problemas de ritmo. Aliás, ele sempre teve. Isso acontece em grande parte pois os livros, assim como na Saga Crepúsculo, tem fãs xiitas que não deixam passar nada desapercebido e fazem listas com todas as diferenças entre o livro e a tela grande, e se reclamam demais, certamente afeta o boca a boca e a bilheteria. E com uma patrulha tão intensa, é difícil tomar liberdades. Pra piorar a situação, a cada livro lançado, J.K. Rowling perdia sua capacidade de condensação, o que fez de Relíquias da Morte um verdadeiro tijolo. Será que era extremamente essencial que o livro virasse dois filmes? Não poderia ter sido feito apenas um com um ritmo muito mais ágil? Talvez. Mas a verdade é que Harry Potter ganhou muito com essa divisão. Pela primeira vez não temos a sensação que o diretor estava tentando incluir o maior número de referências literárias por frame, os tempos são exatamente o que os personagens precisam. E em uma história repleta de mortes, perdas e responsabilidades, era de se esperar que fosse diferente.

Harry, Ron e Hermione passam o filme inteiro fugindo, literalmente sendo caçados por Voldemort e seus Comensais da Morte. Eles são a última esperança para os bruxos, que têm vivido em um regime muito parecido com o nazismo. Um paralelo interessantíssimo, com muito crédito para Rowling, mas que visualmente também foi muito bem construído nos filmes, seja na propaganda contra sangue-ruins (pessoas que não nasceram bruxos) ou em toda concepção do Ministério da Magia. E para se preparar para o duelo final, Harry precisa achar e destruir as 7 Horcruxes, objetos que possuem um pedaço da alma de Voldemort. Sem destruí-las primeiro, Voldemort não pode ser plenamente derrotado.

 

Em Relíquias da Morte temos a clara sensação de que tudo o que assistimos até agora nos preparava para algo. Todos os feitiços que os personagens aprendiam a duras penas, e que pouco eram utilizados, agora fluem, conforme a necessidade vai surgindo. É como se eles vivessem na cena final da Ordem de Fênix, constantemente duelando, se protegendo. Ninguém segura, ou economiza na magia, que nunca esteve tão presente e utilizada. A história, que já foi bobinha e leve, agora está sombria e intensa. Hermione, por exemplo, começa o filme se apagando totalmente da memória dos pais, para protegê-los, e passa o filme todo atormentada por essas lembranças, sabendo que provavelmente nunca mais vai vê-los, e que se o fizer, eles não a reconhecerão. Ron é outro que deixou de ser alívio cômico para começar a enfrentar seus próprios demônios, e passa boa parte do filme escutando um rádio, com medo de ouvir a notícia da morte dos seus pais ou irmãos. Com isso, Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint, enfim nos entregam interpretações de qualidade, com cenas que exigem mais deles em um filme do que em toda a série. O elenco de apoio continua magistral. Difícil imaginar um Voldemort melhor do que Ralph Fiennes, ou uma Bellatrix melhor do que Helena Boham Carter. Ponto pra eles que apostaram nos personagens, sem saber como eles seriam de fato desenvolvidos.

 

Apesar dos muitos momentos de reflexão entre as fugas, e com momentos muito tenros, como a dança entre Harry e Hermione, as cenas de ação estão em sua melhor forma em Parte 1. Muito bem construídas, com uma tensão que beira o filme de terror, principalmente na sequência na casa de Bathilda Bagshot. E ao perceber a eficiência com que os personagens conseguem sair das situações, dão um misto de orgulho e melancolia, ao constatar como o tempo passou para Harry e Hermione, e em como estivemos presentes por todo o caminho.

Mas nem tudo são flores. Hogwarts fez muita falta. Por mais interessante que este sétimo filme seja, não tem como não se perguntar o que estará acontecendo na escola, e quando Harry abre o mapa do maroto, brevemente, foi o suficiente para ansiar por acompanhar um pouco do que estaria acontecendo por lá. Também faz falta Michael Gambon e seu Albus Dumbledore, mas neste caso, é sem retorno. Pra quem não lembra, ele levou um Avada Kedavra no último filme, e agora só volta em flashbacks (ou pensamentos da Penseira, no caso). Também não foi bem trabalhado o romance entre Harry e Gina. Embora eles sejam o principal casal, aquele para quem deveríamos estar torcendo depois de sete filmes, acabamos torcendo estranhamente por Harry e Hermione. Nos livros não há nenhuma tensão romântica entre eles, mas é algo que aconteceu naturalmente nos filmes, sem pretensões, o que só aumenta a carga dramática dos personagens. Mas deixar a Gina Wesley tão apagada, principalmente depois do destaque que ela teve em O Enigma do Príncipe, é inaceitável.

No final da projeção, a impressão que fica é que Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 é um divisor de águas na série. É o primeiro filme onde não temos Hogwarts e a divisão de tempo que engessa tanto os filmes. Sempre acabamos os filmes porque o ano letivo acabou. E nunca o arco dramático do filme podia terminar antes de acabar o ano letivo. Dessa vez há uma ruptura em tudo que ficou pré-determinado como ritmo e narrativa até aqui, e isso é muito bom. É mais imprevisível, e isso foi essencial para a série. Fica a impressão de que o melhor filme, na verdade, é aquele que está por vir. É torcer pra não termos essa expectativa frustrada.

13 respostas a Crítica – Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte I

  1. Fiquei com vontade de ir assistir, mesmo não sendo fã de HP.🙂
    Agora, vacilo a Gina não aparecer praticamente nesse filme. Mas acho que o Harry não deve estar mto preocupado, trancado na casinha deserta com a Hermione. rsrsrs

    Bom, assim que eu achar que não corro perigo de sessão lotada, nem de minininhas gritando no cinema, eu vou assistir.😛

  2. ftostes diz:

    Ou de mulheres amamentando, né?

  3. casosecriticas diz:

    Eu gosto de HP, sempre achei mto interessante a poesia dele, os argumentos literários e em como JKR conseguiu fazer a evolução dos personagens, de meninos de 8-9 anos para jovens adultos. E sempre achei boas as adaptações para cinema. Estava ansiosos por ver o filme, agora fikei mto mais!!!

  4. Fil queridón, acabei de assistir e achei “legarzinho”. Pra mim HP não é de arrancar os cabelos. Sou mais um True Blood sexo (hardcore), drogas & rock n roll, rs. Mas a história é bem amarrada e a J.K. Rolling tem seus méritos.

    HP e Hermione dançando na barraquinha foi a cena mais “comovente” do filme. Certamente tem mais química que ele e a Gina. Aquele beijinho ackward me deixou com V.A.!

    E sei lá, por mim condensava esse filme em 1h e terminava num só filme. Mas a lei é outra: $$$$ cathin $$$$$

  5. Beatrix Riddle diz:

    Honestamente o fato de não ter essa melosidade Harry/Ginny foi justamente o que eu mais gostei no livro, amei o fato de o último livro ser também o maior, e se o filme não tivesse sido dividido em 2 partes, certamente teria de ter 4 ou 5 horas de duração no mínimo! Ou isso, ou faltaria muita informação que nós, os verdadeiros fãs, odiaríamos ver fora das telas. Ainda bem que David Y. desistiu de faser um filme comercial. Pelo menos assim quem sabe nós não forçamos os posers e as criancinhas a finalmente lerem (e a propósito, de quem foi a estúpida idéia de dizer que H.P. é coisa de criança???).

    Harry/Hermione é um casal pelo qual nenhum fã jamais torceu, apenas os posers. Todo fã sabe que isso é ridículo e faz muito menos sentido do que Hermione/Ron, que durante muito tempo foram praticamente opostos no quesito inteligência.Mas tem clime sim entre eles no filme, por exemplo toda vez que ela fica sem jeito quando tem que abraçar a ele.
    Querido(a) não se meta no que diz respeito aos fãs. Não precisa ser fã se não quiser, mas não pague de poser, não sugira um filme só, não sugira um livro menor. Os fãs do mundo todo amaram a divisão em dois filmes, só assim pra contar tudo que tem que contar. Não ficaria muito fiel ao livro se não fosse. E se o livro fosse menor, ficariam faltando ainda mais explicações. Acho que o livro devia ser maior já que faltaram coisas que todos nós queremos muito saber. Por exemplo, se Hermione conseguiu desfazer o feitiço de confundir que usou nos pais dela pra faze-los pensar que eram o casal Wilkins e que seu sonho era morar na Australia. Ela não apagou a si mesma da memória deles, e ainda jurou voltar e desfazer o feitiço quando a guerra acabasse. Leia o livro com atenção (aliás, leia todos) e só depois venha fazer críticas. Ou os fãs xiitas te pegam.

  6. Beatrix Riddle diz:

    rafaeladias: cala a boca e vai ler a droga do livro, Harry/Hermione não existe nem nunca existiu, e se você lesse o livro perceberia que a Gina só não aparece em metade da história (ou mais da metade) porque Harry não quer que ela vá junto e se machuque (ou morra). E se você lesse, também perceberia que além de jamais acontecer nada de romântico entre Harry e Hermione, ela é totalmente apaixonada por Ron, o que pode ser visto quando ela fica constrangida e sem jeito quando tem que ficar perto dele ou abraça-lo.

  7. Beatrix Riddle diz:

    rafaeladias: condensar o filme em 1 hora???? Porra, aí teria que cortar muita coisa importante (importante pros fãs, não pra você), eu mataria o diretor se isso acontecesse! Eu e todos os fãs “xiitas” do mundo, sem dúvida. Pare de dar opinião, o motivo principal não foi $cash$, segundo o próprio diretor, foi pra não perder o sentido e não cortar detalhes, em resumo pra não provocar uma onda de fúria dos fãs. Tipo eu.

    • Menina,

      Te adorei! Volta mais aqui pra gente debater meu tempo poser e a importância de HP. E jura que o diretor disse isso? Ah, então agora eu acredito.😀

      Beijos

    • ftostes diz:

      Oi Beatrix (by the way, bonito nome, muito criativo). Você percebe que um fã é só uma pessoa que passou mais tempo lendo e lendo e lendo os livros, né? E pode não parecer, mas as outras pessoas também são dignas de entretenimento, não é só pq cometeram o sacrilégio de não ler os livros que não merecem ter algum tipo de diversão. Alias, já que é pra falar a crazy talk dos fãs, sua postura diante de não fãs, posers, e de pessoas que não concordam com o seu ponto de vista é bem parecida com o fascismo do Voldemort. Será que você, como fã, pode entender as metáforas e tirar alguma lição de vida de tolerância da história? Não basta ler, tem que entender e interpretar.

      Mas enfim, eu li os livros e vi os filmes. Pena que você faz parecer que isso é algo ruim. Que fique registrado, não sou bitolado! Só gosto de diversão escapista de vez em quando.

  8. JeaahSouza diz:

    assisti os 5 primeiros filmes (e ate gostei), qnd cheguei no Enigma do principe me decepcionei, muuuuuuito chato, qnd chegou em UM HORA E VINTE ja não aguentava mais e desisti, pensei 1 milhão de vezes antes de ir ver HP7 e ainda bem qe não fui.
    odeio filmes longos.
    NÃO SOU FÃ E NEM PRETENDO SER.

  9. Maxwell diz:

    Muito showw
    o parte 1 ñ está totalmente fiel ao livro,
    mas está fantástico nos detalhes:a morte do dobby,a parte em que eles se revesam a noite,o harry dançando com hermione(ficou style)….está qs td perfeito…pq perfeito vai estar o parte dois,já que o parte 1v nao deu pr ser em 3d

  10. Roberto diz:

    Mt legal a crítica.
    Respeito seu ponto de vista mesmo nos pontos em que não penso o mesmo (e não vou te atacar, pq gosto de viver em uma democracia, e com isso a divergência de opinião é algo rico, o que permite diálogo e evolução).

    Enfim, achei este o mais fiel aos livros, com excessão do clima entre Rony e Herminione, que nos livros não me pareceu nítido, mas que já vinha sendo trabalhado nos filmes. Achei muito legal. Todos estavamos esperando pelo desfecho que já sabemos qual e quando será.

    A Gina já tem uma participação curta no livro, em virtude da dinâmica do enredo. Alguém já comentou sober a intensão de protegê-la que Harry tem.

    A cena da dança de Harry e Hermione ficou mt boa.

    Com certeza para os fãs ficou mt bom, mas para os não-tão-fãs que não leram os livros, ficou um pouco amarrado (ex: Dobby retorna do nada), mas na minha percepção a proposta do filme era fechar com chave de ouro a saga para aqueles que realmente curtem a história, e isso, e este processo foi iniciado com muito sucesso pelo Relíquias parte 1.

    Hogwarts faz falta, sempre faz. Mas a gente acostuma. No livro já foi assim. Já fazia falta nos capítulos iniciais dos outros livros. Mas enfim, a história é tão dinâmica e envolvente, que quando nos damos conta já esquecemos de “esperar eles irem para a escola”.

    Efeitos dos comensais: demais. Declínio dos Malfoy: muito bem retratado.

    Emma Watson e um aperfórmance perfeita (como o pessoal do zerooitocentos.org publicou, ela consege passar emoção com meio movimento de sobrancelha).
    Rupert Grint e sua magnífica evoluçaõ na interpretação (foi ele que teve gripe A durante as filmagens, não foi? Fez bem para ele)
    Daniel Radcliffe não “mata a pau”, mas passa bem o recado.

    O clima de tensão e amargura foi MUITO BEM COLOCADO. Tomara que o Oscar o valorize.

    PS: desculpem os erros de portugues ao longo do texto, mas escrevi rápido e não vou ter tempo de revisar todo ele.

    Feito?
    Obrigado!

  11. Taryk diz:

    Eu nunca li nenhum dos livros do Harry Potter porém, presto atenção aos mínimos detalhes dos filmes, e percebi que esse Harry Potter e as relíquias da morte foi bem focado para aqueles que acompanham a série de filmes, muito bom. Também percebi facilmente o que a dança do Harry com a Hermione quis dizer, foi algo que o Harry fez para tentar conforta-la ou consola-la CEILA fato é que foi algo daquele momento, algo expontaneo, gostei muito. E como todos disseram Hogwarts realmente faz falta, só que isso não muda nada, o filme é foda! como sempre.

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