Velha Geração – Geoffrey Rush vs Anthony Hopkins

Acabei de voltar do cinema, onde tive duas experiências bem diferentes, com atores igualmente talentosíssimos, mas que tomaram direções totalmente opostas em sua carreira. Como já está virando tradição, eu vou pro Plaza as sextas, assisto um filme bem ruim, que só me prepara pra assistir um filme muito bom em seguida. Nessa semana, fiquei com O Ritual e O Discurso do Rei.

Em primeiro lugar, O Ritual é ruim. De verdade. Personagens banais, esquematizados, que toda a hora que abrem a boca é só pra passar pro público alguma informação que o Demo vai usar contra eles na hora do exorcismo. Era pro chifrudo saber tudo da vida deles, detalhe por detalhe, mas acho que ele, assim como os espectadores, se contentou em saber apenas o “Thats what you missed in…. Rit”. Mas até aí, não posso reclamar de nada, o filme tá dentro das premissas dele. Mas eis que surge Sir Anthony Hopkins. Até eu tenho que concordar que coloca-lo incorporando um demônio não é uma idéia ruim. Eu olho pra ele e já morro de medo. É um dos maiores vilões de todos os tempos, certo? Mas não. O filme é tão ruim, mas tão ruim, que quanto Tony incorpora, eles enchem a cara dele de CGI. Isso mesmo, minha gente, a anta que fez esse filme julgou que a atuação não era assustador o suficiente. E no meio do martírio que foi assistir esse filme, pensei em qual foi a última vez que eu vi Mr Hopkins num filme bom… Ele tava uma bosta em Lobisomem. Ele foi o pai do Alexandre, naquela bomba. Fez uma animação ruim, Beowolf. Teve o último filme ruim do Woody Allen, um filme médio com a Gwyneth Paltrow, interpretou um negro no filme que a Nicole Kidman faz uma empregadinha. Chego a triste conclusão de a última vez que ele prestou foi fazendo Hannibal Lecter.

Meu primeiro instinto me levou a sentir pena. Ele deve ter contas pra pagar, né? Com uns 73 anos, os remédios devem estar caros, o sistema de saúde nos EUA são horríveis, ele deve estar vendendo a alma, quase que literalmente. O próximo dele vai ser Thor, pra você ter uma idéia. Mas eis que troco de cinema e me deparo com Geoffrey Rush. Ok, ok, ele só tem 60 anos, mas ainda assim. Geoffrey é relevante.

Assim como Tony, Geoffrey também ganhou um Oscar na década de 90, por Shine. E desde então, o que ele fez? De imediato lembro da dobradinha Shakespeare Apaixonado e Elizabeth. Não são filmes perfeitos, mas ele certamente está muito bem em ambos. E não podemos esquecer do inesquecível Marquês de Sade. E ele também vendeu a alma pro Piratas do Caribe, mas isso só o tornou ainda mais relevante e versátil. Fez o independente australiano Candy, teve Frida, Munique, a voz em Procurando Nemo, ganhou todos os prêmios de TV com o filme sobre o Peter Sellers. E agora está em O Discurso do Rei.

Aqui abro um parenteses. Geoffrey está MARAVILHOSO no filme. Só não rouba a cena do Colin Firth porque não tem como, são interpretações complementares. Se tivesse o Oscar de melhor dupla, certamente era deles. Mr Rush tem uma das melhores perfomances do ano, num dos filmes mais significativos também.

O que nos traz a uma questão: Por que Anthony Hopkins não consegue fazer um filme bom? Por que ele não consegue ter a relevância que o Rush tem até hoje em dia?

 

2 respostas a Velha Geração – Geoffrey Rush vs Anthony Hopkins

  1. Márcio Martins diz:

    Shine- brilhante foi o filme em que Geoffrey Rush, interpretando um pianista, ganhou o Oscar de melhor ator. E Sir Anthony Hopkins é britânico e não americano(apesar de que remédios são caros em todo lugar, ou não?).

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