Porque gays e lésbicas tem dificuldade de se controlar quando se vêem retratados no cinema?

Outubro 29, 2010

Eu era pra ter escrito esse post logo após o Festival do Rio mas a vida de xibata anda ocupando meu planejamento bloguesco, se é que você, querido wicked leitor, me entende. Mas hoje finalmente resolvi arrumar um tempinho pra escrever de um assunto um tanto quanto polêmico. Vê-se pelo tamanho do título do post, não é mesmo? E pra quem leu e não entendeu nada, vou explicar direitinho aqui minha mais nova tese.

Tudo começou quando fui assistir o novo filme do diretor Julio Medem, Um quarto em Roma (Habitacion en Roma, que teve o trailer postado aqui), durante o Festival do Rio, no Vivo Gávea. Trata-se de um cinema de shopping, com público A, no estilo playboyzinho-cult-bacaninha. Pelo menos é a imagem que as pessoas de fora tem da Gávea e de seus moradores. Anyway, eu já não me impressiono com o fato de que as pessoas escolhem seus filmes aleatoriamente no Festival, mas me deixou extremamente irritada que um casal de uns 50 anos, sentado ao meu lado, não calasse a porra da boca porque entraram no filme “errado”! Pra quem não sabe o filme se passa durante uma noite de sexo casual entre duas mulheres, uma espanhola (a excelente Elena Anaya) e uma russa (a belíssima Natasha Yarovenko, que deixa a desejar. Por mais que o filme seja todo em tom teatral, ela não segura em cenas importantes). Me impressionou que o filme incomodou principalmente o marido, que ao sentir sua masculinidade ameaçada, não parava quieto na cadeira e reclamava o tempo inteiro do filme. Um desconforto óbvio as cenas de nudez e sexo entre duas mulheres lindas. O que é muito estranho… O normal do homem heterossexual seria ficar quietinho, apreciando as cenas, até sua mulher, em meio a grande revolta, pedir pra se retirar do cinema. Mas nope, foi ele quem aos 40 minutos deu um basta.

Sexo e nudez com naturalidade em "Um Quarto em Roma"

 

Ufa! Finalmente eu ia poder assistir o filme sem ficar me sentindo incomodada com o bate-bate na cadeira, a falação, e o desconforto palpável pelo tema. O que mal ou bem acabou me afetando. E nisso eu volto mais tarde, pra dar credibilidade a minha própria teoria.

O resto do filme foi todo no silêncio e na paz, com direito a palmas nos créditos finais. Achei meio “too much” as palmas, não colaborei com as mesmas, mas gostei do filme. Obviamente tem seus defeitos e passa longe dos maravilhosos “Os amantes do círculo Polar” e “Lúcia e o sexo”, do mesmo diretor. Ainda assim, por um acaso do destino, eu tive que trabalhar em Botafogo no dia seguinte e achei que era um sinal o filme começar bem na hora que eu estaria liberada. Resolvi assistir outra vez, sem o casal homofóbico, e na cia de amigas e a fancharada (mais algumas bibas) que eu tinha certeza que marcariam presença no Estação Botafogo.

Achei que assistiria o filme na paz, sem ficar tensa com comentários, ou com gente me sacudindo e falando sem parar durante o filme. Ledo engano! Começou até bem, mas o filme não agradou. Até ai tudo bem, mas o que realmente me incomodou foram as risadas, os aplausos, a falação, as piadinhas… tudo isso durante o filme! Muita falta de respeito dos tais “cult-bacaninhas”.

Mas sabe o que mais me impressionou? Foi minha conclusão/tese de que gays e lésbicas não sabem ter modos quando estão em sessões de filmes gls, onde sabem que vão estar rodeados por “irmãos e irmãs”. Eu realmente acho que se essas mesmas pessoas estivessem num cinema qualquer, assistindo um filme hetero, elas estariam quietinhas, ainda que não gostassem do filme. O problema é que a sessão quando está povoada de bicha e sapatão, fica todo mundo achando que tá no Show do Gongo e começam a palhaçada.

É só apagar as luzes que começam as piadinhas, impressionante! Já vi uma biba abrir um leque do meu tamanho no meio do filme. Levei um susto do car*lho e perdi completamente a concentração. Pode uma coisa dessas? E muitos vão falar que fizeram isso porque o filme não era bom, não estavam gostando e todo esse bla bla bla, mas isso não é uma desculpa boa, concorda? Pessoas como eu pagaram pra assistir o filme e por incrível que pareça *não* estão afim de ouvir seus comentáriozinhos cretinos. Guarde isso pra uma crítica a la Wicked Twins no dia seguinte.

Cena de "Cidade dos Sonhos"

Mas a verdade verdadeira (rs) é que nos ver na telona é de alguma forma desconcertante. Não estamos acostumados e acabamos agindo como criancinhas no playground quando isso acontece. E não me excluo desse grupo exatamente porque o casal e seus comentários me deixaram um tanto tensa na primeira sessão. Lembro bem também de quando fiz piadinhas (em voz baixa, ok?) pro meu amigo que estava comigo na sessão de “Cidade dos Sonhos”, quando a cena lés me pegou de surpresa. Simplesmente agimos de uma maneira diferente.

No próprio “Um quarto em Roma”, nessa sessão, em 5 minutos de filme, quando ainda não ficou duvidoso (em termos de bom ou ruim, seja lá a conclusão que chegue a respeito do filme), rola o primeiro beijo. Só essa cena já foi o suficiente pra uma fancha-sem-noção mandar uma piadinha, e as amigas fanchinhas todas com aquele risinho nervoso, sabe? Chego a conclusão de que gays e lésbicas não sabem se ver no cinema. É raro, eu admito. Estamos constantemente queer starved (eu então…) e torna-se algo atípico ver aqueles personagens fazendo coisas que a gente (aka rainbow people) faz.

O Fil até me questionou sobre isso, dizendo que atualmente existem muitos filmes focados em personagens gays, que abordam de maneira natural, etc, etc. Mas a questão é que a maioria desses filmes se encontram na internet, e a menos que você seja escolado em torrents e sites de download e compartilhamento, você não consegue acesso a esses títulos. E convenhamos, a maioria deles são assistidos em casa, no escurinho e silêncio da privacidade de nossos quartos.

"Quando a noite cai", de Patricia Rozema.

Lembro quando ainda era um bebê (uns 17 anos) e assisti “intencionalmente” meu primeiro filme lésbico, Quando a noite cai (When night is falling). Assisti eu, minha melhor amiga (que tinha minha mesma idade, e estava na mesma situação que eu), e uma amiga mais velha, que estava nos mostrando seu amado filme. Lembro que fiquei desconcertada, e minha amiga também fez piadinhas que me fizeram rir de nervoso quase durante o filme inteiro. Óbvio que nossa hostess ficou irritada, e com razão. Parecia que não estávamos levando o filme querido dela a sério. Mas a verdade é que não sabíamos como…

Pra concluir logo esse post, que ninguém mais deve estar aguentando ler, acho que é preciso existir essa consciência pra que esse tipo de coisa se torne mais natural e pare por aí. Afinal foi insuportável aguentar aquele público infantil e mal educado por quase 2 horas. E o pior, com a atitude deles, fica difícil gostar do filme. Minhas amigas, que estavam comigo, não gostaram, mas as duas admitiram que o comportamento do público atrapalhou, e acabou influenciando um pouco. Elas tinham suas críticas, e provavelmente não teriam gostado anyway, mas é sempre bom poder tirar suas próprias conclusões sem a pressão de risadas, sarcasmo, e palmas durante cenas polêmicas.

Consigo entender, porque como já disse, eu também já agi assim, mas é hora de crescer, pessoal! Assim como já temos Gus Van Sant, Todd Haynes, Greg Araki, e cia, vamos ter também Lisa Cholodenko e… e… ok, não temos “grandes” diretoras lésbicas, mas os filmes vão vir, e nós vamos nos acostumar a assistí-los sem vergonha, sem risinhos nervosos, sem desconforto e o mais importante: sem falta de educação.

Um desabafo by,

Rafinha aka Wicked sis.

 

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Dica 2 – Nurse Jackie (e a música do promo)

Abril 28, 2010

Eu disse que eu ia dar 3 dicas né? Mas depois percebi que a 2 e a 3 tinham uma relação tão grande uma com a outra, que não faria sentido algum eu dividir em dois posts. Então depois desse eu parei, ok, seus freaks da atualização constante (rs, just kidding). Trata-se de uma das minhas séries preferidas da atualidade, Nurse Jackie, e a música de um dos promos dessa temporada, que sem brincadeira, já ouvi mais de 10 vezes hoje aqui no trabalho. Mas vamos por partes:

O seriado Nurse Jackie é uma produção do canal a cabo americano Showtime (de séries como Dexter, Weeds, The L Word, Californication e mais) e tem como protagonista uma das maiores atrizes da atualidade: Edie Falco. Acho que poucas foram tão premiadas e elogiadas como Edie e sua atuação como Carmela Soprano em The Sopranos, falecida série da HBO. E realmente, não tem como negar, Edie é um camaleão da telinha. As duas personagens são completamente diferentes, e a atriz não se faz reconhecível uma na outra. Em Nurse Jackie, Edie faz Jackie (duh!), enfermeira com um péssimo hábito de abuso de remédios/drogas, e uma atitude que todos nós gostaríamos de colocar pra fora. Pra você ter uma noção, no episódio passado ela falou pra uma pré-adolescente chatinha “Shut the fuck up!” e acredite, com uma dignidade que só assistindo pra entender, rs.

O tom da série é de humor negro, sarcástico, exatamente do jeitinho que a gente (wicked) gosta. Tanto que, não tenho dúvidas que Jackie herself merecia um post de Lost Twin só com as tiradas dos episódios, que infelizmente só tem meia hora de duração *sob*. E acredito, os personagens secundários também são grande parte do charme da série, particularmente a melhor amiga de Jackie, Dr Ohara, o “sem-noção” Dr Cooper, e a residente Zooey. Sem contar que a série é toda queer-frindly, já que as duas criadoras são fanchíssimas, rs. Já tivemos dois grandes personagens gays (um deles só ficou na primeira temporada, infezlimente), agora uma das personagens principais revelou ser pelo menos bissexual (revelação mais inesperada da temporada). Sem contar que Dr Cooper tem duas mães.

Sensacional. Quem puder, corra atrás de baixar. E pra quem não conhece vou deixar aqui a promo o trailer da primeira temporada, e em seguida a promo com a música do Train: Hey Soul Sister, que é simplesmente uma delícia de ficar se ouvindo over and over!

Trailer da primeira temporada:

Promo da segunda temporada feat. a música do Train (não tem spoiler! pode assistir sem medo, eu prometo!)


Dica 1: A melhor dupla vampiresca ever!

Abril 28, 2010

Eu ia postar uma dica de música, mas mudei de idéia, e remudei novamente, vou dar três diquinhas supimpas pros meus queridos wickeds que passam aqui every now and then. Acabei de mudar, ao ver o webisode de True Blood que minha irmã acabou de me mandar aqui, e não, não é spoiler e qualquer pessoa que nunca assistiu a série pode ver e curtir…muito, porque é hilário e conta com minha dupla vampiresca preferida: Eric (Alexander Skarsgard, meu número 1 do “Por eles eu virava hétero”) e a Pam (Kristin Bauer). Dentro de True Blood, Eric é o vampiro mais wicked, que a princípio só atende a suas próprias vontades, e é um dos mais velhos da história, e por isso o Cherife da Área 5 (ok, ficou nerd e complicado demais né? Ok, moving on…), e acaba dividindo a personagem Sookie (Anna Paquin) entre suas atenções e a do vampiro (pé-no-saco) Bill Compton (Stephen Moyer). Já a Pam é cria do próprio Eric. Ele foi o responsável por sua “transformação” e ela vira sua fiel escudeira. Sem contar que o inuendo lés que a personagem tem nos livros começa a aparecer, finalmente!

Finalmente mesmo, porque até então a Pam era muito papel de parede na série, e nos livros ela é hilária. Quando aparece ou diz algo causa um efeito meio Brittany do Glee. Total rouba a cena com uma só fala. Genial. Mas então, vamos a tal cena, que vai deixando o fãs cada vez mais alucinados pela próxima temporada (já estamos indo pra terceira, então corre atrás das duas primeiras que vale a pena) de True Blood, que começa em junho.

Delícia. Comia os três. (homenagem a minha amiga que adora um risquinho, rs)

O webisode tem legendas em português. Não tenha medo! rs

Já volto com a próxima dica do dia. 🙂


Um dia de estrela – Mari e Alejandro

Abril 20, 2010

Hoje vou abrir espaço aqui pra contar a história linda de amor e superação de uma grande amiga, que depois de assistir “Lua de Cristal” one to many times, realizou seu grande sonho essa semana. Deixo com vocês o relato de Mari, a pessoa mais feliz do mundo nesse momento:

“Ontem, uma quinta-feira, quando muitas de vocês levantavam para mais um dia normal de trabalho eu acordei às 07h da manhã e me preparei para um dia mágico. Fui para a frente do Hotel Fasano, ponto de encontro marcado para a saída da van.

Eu explico: Lucas arranjou uma gig (termo técnico no meio musical para trabalho pequeno, temporário, de acompanhamento em show), e nessa onda eu também entrei…como backing vocal. Isso mesmo, eu que não acerto uma só nota na melodia iria cantar acompanhando um artista internacional…mas como isso é possível? Graças ao playback. Eu sei que playback não é legal, um desrespeito ao público mas se a Britney Spears fez isso comigo no Rock in Rio achei que era o momento da minha vingancinha particular e querem saber? Se não fosse playback eu nunca subiria num palco mesmo pra cantar de verdade, então, que seja. Tá bom, tá bom, esse fogo todo tem um motivo obscuro sim…eu ia conhecer a rainha, a iluminada, aquela que me acordou durante anos na infância com seu programa, aquela que também fez muitos outros programas, aquela que pegou o negão, aquela que seduziu uma criança na frente das câmeras…sim, eu estou falando de Xuxa!

Pausa para respirar.

Chegamos ao Projac às 11h, aproximadamente, e fomos levados diretamente ao nosso camarim, algo parecido em tamanho com o meu apartamento…uhm, não, pensando melhor, o camarim era maior. Éramos 12 ao todo incluindo músicos, produtores e não músicos, esse último grupo um pouco mais reduzido e composto apenas por mim e por um ator tamanho GG (gato e gay). Durante toda a tarde fui maquiada pelo meu mais novo amigo de infância, Maurição, um negão de 2 metros de altura batizado carinhosamente de Maldição pelo Lucas. Conheci também a querida Guacira que ficou encarregada de esticar os cabelos. À tarde fomos almoçar no bandejão que apesar do pouco glamour (eu esperava um Gengibre ou pelo menos um suco no Gigabyte) oferecia muitas opções. Voltamos ao camarim, colocamos nossas roupas de gala e ficamos prontíssimos para entrar em palco a qualquer momento. Pela televisão acompanhávamos ansiosos a gravação e a hora em que seríamos chamados. Aproveitamos o tempinho para passar as letras das músicas, o fato de ser playback não quer dizer que você não deva fingir direito. De repente, somos chamados, é chegado o grande momento, nosso astro já está nos aguardando mas ainda não o vimos. Ele vai entrar antes e conversar um pouquinho com a Xu, só depois sua banda não oficial entrará. É quando começamos a ouvir a platéia, as pessoas gritam e batem palmas. A Xuxa começa a falar: eu vou chamar um cantor que vocês adoram, ele é lindo, ele veio da Espanha e vai cantar hoje aqui pra gente. Com vocês…Alejandro Sanz! Gritos, berros, histeria.

Ele entra e conversa um pouco com ela como o combinado enquanto nós aguardamos atrás do palco, escondidos e batendo queixo de frio. O pessoal do backstage diz pra gente entrar e lá estão os dois, sorridentes. Nós também sorríamos mas era preciso, o queixo batia com tanta intensidade que os dentes poderiam se quebrar. Sorrir era a única opção. E com força. Mentalmente eu repetia as frases da melodia: quién me tapara esta noche se hace frío, quién me va a curar el corazón partio?

Daí pra frente foi um momento celebridade como qualquer outro. É verdade que fingi. Mas fingi acreditando que era possível a realização de um sonho. Cantei feliz, cantei pra mim…quem se importa com um microfone desligado?”


Coming Soon – A Single Man

Dezembro 15, 2009

Hoje sairam as indicações ao Globo de Ouro de 2010, e vou dizer que não fiquei muito feliz não. Fiquei surpresa que simplesmente ignoraram o que pra mim foi um dos melhores, se não o melhor filme de 2009, O Brilho de uma Paixão (Bright Star), e sua atriz Abbie Cornish. Também deixaram de lado em melhor atriz comédia/musical minha querida Zooey Deschanel, que nem é lá grande atriz, mas estava ótima em (500) Days Of Summer, e com certeza merecia mais que Julia Roberts (Duplicity) e Sandra Bullock (The Proposal). Ainda mais considerando que a Sandy já tava com sua indicação de melhor atriz dramática por The Blind Side, que coloquei no nosso “Coming Soon” anterior.

Na parte das séries também fiquei indignada com a ausência da Elizabeth Moss, dando lugar pra January Jones (as duas de Mad Men). E no Mary Louise Parker pra melhor atriz comédia! WHAT? Exato, então vou torcer pra Edie Falco (Nurse Jackie) arrancar a cabeça da Toni Collete, que eu normalmente adoro, mas não vou com a cara de The United States of Tara.

Fiquei feliz com Glee, principalmente porque tem boas chances de ganhar com a Jane Lynch, com a indicação de atriz musical pra Marion Cotillard, com as boas chances da Julianne Moore conseguir sair vitoriosa por A Single Man, e pelo favoritismo da Kathryn Bigelow, diretora do Hurt Locker (já tá mais do que na hora de uma mulher ganhar por direção! E faltou Jane Campion aqui).

Mas vamos ao que interessa, que é falar um pouquinho mais do filme gay do ano, que não é Do Começo ao Fim (rs), mas sim A Single Man do diretor Tom Ford, que conta com um elenco estelar, que tem boas chances de grandes prêmios, incluindo Colin Firth (melhor ator) e Julianne Moore (melhor atriz coad). Para os curiosos, segue o trailer (que by the way é fenomenal):

Amanhã temos Top 5 de melhores séries de 2009! Stay tuned.


Rainbow News, TV Review – Glee s01e09

Novembro 13, 2009

glee

(SPOILERS ALL THE WAY)

Glee essa semana veio com mais um episódio foda de bom, como só ele tem conseguido fazer. Três histórias se desenvolveram, mostrando que Glee não tem filler em momento algum. E tenho que dizer, não sei qual foi melhor.

Sue, a professora que todos adoramos odiar, parecia ter um evil plan ao colocar uma menina com Síndrome de Down como cheerleader, e ao fazê-la treinar com o mesmo afinco e dedicação que todas as outras. Por fim, aprendemos que mesmo os personagens sendo exageros de protótipos normais de qualquer high school americana (e falo isso tendo estudado por 1 ano em uma), há espaço pra torná-los tridimensionais e mais do que simples piadas de um roteiro afiado. Sue com sua irmã no hospital foi um momento lindo, e muito raro na TV falarem sobre Síndrome de Down.

Outra história lindamente desenvolvida foi a de Artie, o menino da cadeira de rodas que tinha pouca visibilidade no grupo até então. Quando o Glee Club recebe a notícia de que precisaria arrecadar dinheiro para alugar um ônibus especial com acesso de cadeiras de rodas, o pessoal não gosta muito e sem perceber, ferem os sentimentos do amigo. Foi muito interessante acompanhar a história pelos olhos dele, e o número de “Dancing with myself” foi bem bacana. No final, foi divertido ver a coreografia de “Proud Mary” com todos em cadeiras de rodas. Já o romance dele… não sei, Artie foi tão duro com a japinha. Mas entendo, a vida é dura com ele, e na adolescência, as pessoas não costumam cut some slack pra ninguém. Mas deu pena, fiquei com mais pena dele do que dela. É claro que comparado a não poder andar, o problema da maioria pode parecer menor. Mas como diria Ally McBeal, o que tornam os nossos problemas maiores do que o dos outros é o fato de que são nossos, e nós temos que lidar com eles. Logo, cadeira de roda beats timidez any day, mas nem por isso ele pode crucificá-la.

Chegamos então em Kurt, que ao saber que o grupo cantaria “Defying gravity”, uma música de “Wicked” com a qual ele claramente se identifica e sonha em cantar, fica frustrado quando o professor entrega pra Rachel, sem nem deixá-lo audition. Alias, Will levou vários tapas na cara nesse episódio. Seja pelo pai do Kurt, seja pela Sue. Prova de que é fácil ter um discurso e uma ideologia, mas é bem difícil coloca-la em prática. O pai do Kurt (que tem uns olhos liiindos, mais alguém reparou?) compra uma briga na escola para que o filho possa cantar uma música de menina. Foi emocionante, fofo. Parabéns pra quem escreve esses roteiros.

Mas depois de uma ligação anônima chamando o filho de fag, o pai começa a sentir os efeitos de aceitar a sexualidade do filho tão abertamente. Kurt percebe o sofrimento do pai e desafina durante a audition da música de propósito. Foi de cortar o coração. A conversa que eles tem sobre o assunto foi bem tocante pra mim, difícil não se identificar. Acho que de certa forma, muita gente que é gay passa por isso. Ok, você se assumiu, e seus pais sabem de você, mas você precisa se expor tanto? Um argumento é: Sim, é claro. Eu não tenho vergonha de quem eu sou. Por que eu deveria podar o que falo, o que faço, por causa dos outros? Ao mesmo tempo, temos que levar em consideração que temos pais, irmãos, avós, amigos, que vão ter que lidar com as consequências dessa exposição. Ok, foda-se, se eles me amam, vão ter que aguentar? Ou será que nós podemos tentar nos conter um pouco, já que também não queremos ver ninguém sofrendo? Um exemplo claro e real? Será que eu preciso fazer um filme de formatura que fale sobre homossexualidade? Eu preciso ter um blog que fale sobre o tema? Eu preciso postar links gays no meu twitter, sabendo que tem familiares me seguindo?

É um terreno bem complicado, cheio de decisões difíceis. Kurt decidiu não cantar a “música de menina” na frente de milhares de pessoas pra poupar o pai. Mas deixou bem claro que isso não vai segurá-lo, que é apenas o começo. Glee continua bem atual e sem censuras na hora de lidar com a homossexualidade. E eu continuo achando que I was born to watch Glee.


Rainbow News: Nicole Kidman, a transformista

Novembro 9, 2009

nicole-kidman

Já foi época em que eu tinha um respeito tão absurdo pelo talento de Nicole Kidman que eu praticamente acreditava que ela podia se transformar em qualquer coisa que ela quisesse. Mudaria não só o nariz, como a estatura, a voz, o cabelo e o que fosse, mas essa fase acabou e cai na real. Eu e a torcida do Flamengo. Não estou dizendo que Nicole não tenha mais talento, ou que sua carreira tenha acabado, afinal eu sou brasileira e não desisto nunca! Então tenho boas espectativas quanto a sua performance em Nine, do Rob Marshall, com estréia pro ano que vem.

Human StainO que me motivou a escrever esse pequeno post foi o anúncio de que Gwyneth Paltrow agora integra o elendo de The Danish Girl junto de Nicole Kidman. Eu particularmente acho a Gwyneth inexpressiva e chatinha, mas não é ela que me preocupa mais no filme. A história fala da vida do pintor Einar Wegener, que foi o primeiro homem a fazer a operação de mudança de sexo. Esse é o futuro papel de Nicole Kidman. Ficou com medo? Eu, certamente. Ainda mais quando você pensa que Nicole fez a “empregadinha fudida” de A Marca Humana (foto ao lado), filme com o pior casting evah!

Ainda assim estou curiosa pra ver Kidman e Paltrow fazendo esse casal lés. Afinal, Einar/Lily era uma mulher, se sentia como mulher, e se apaixonou por uma outra mulher.

o verdadeiro einar

Einar Wegener, e depois como Lili Elbe (Igualzinho a Nic né?)