Críticas Literárias – Janeiro de 2011

Fevereiro 7, 2011

Bem, na falta de críticas diárias, vamos tentar ao menos resumos mensais, né? Acho que já é um bom começo! E como livros acabam não sendo tão numerosos quanto filmes no cinema, por exemplo, acho que não vai ser tão difícil.

1- Get Happy – The Life of Judy Garland – Gerald Clarke

Em primeiro lugar, tenho que explicar que não é a minha primeira biografia da Judy. Ela fazia parte de um estudo que visava gerar uma peça sobre a vida de uma das minhas atrizes favoritas. A anos invisto nisso, comprando e baixando filmes, e lendo tudo o que conseguia a respeito. Infelizmente, o Charles Muller e o Claudio Botelho passaram a minha frente e já tem planos de montar esse ano uma peça com o mesmo tema. Quase fico triste, mas eu quero mais, e pelo menos eles tem talento. Quanto ao livro, que é o que interessa, não foi minha biografia favorita dela não… Tinha boas expectativas, é a única entre as biografias a contar com cartas da própria Judy, e supostamente um filme protagonizado pela Anne Hathaway estaria sendo produzido tendo este Get Happy como base. Mas acho que ele acaba passando muito rápido por temas relevantes, que já haviam sido descritos com mais precisão nos outros livros. Filmes inteiros passam mal sendo citados, e essa era exatamente a parte que mais me interessava. O estilo do autor também é um pouco irritante, interessado demais em filosofar sobre a arte, o dom. E páginas e mais páginas de rasgação de seda cansam até pra quem concorda.

Nota: 6.0

2- Férias – Marian Keyes

Aqui vale uma explicação: Eu tinha começado a ler “Leite Derramado”, do Chico Buarque, mas viajei e esqueci o livro em casa. Resultado, parei numa Lojas Americanas e comprei a única coisa que dava levando em conta o buraco da minha conta bancária, as opções, e o fato de que eu estava a caminho de um cruzeiro. Eu sei, eu sei, oportunidade perfeita pra começar a ler Proust, mas dessa vez fiquei com uma leitura leve e divertida de Chick Lit. Então eu chego em um cruzeiro com bebida liberada e o bolso cheio de engov, deito na espreguiçadeira, ao lado da piscina, um drink na mão, um sorriso no rosto, e já na primeira página, nossa heroína está sendo hospitalizada com overdose/suicídio, e está sendo internada num centro de rehab! Ou seja, misturo bebida liberada com praticamente a biografia da Lindsay Lohan. Além disso, o livro não é bem escrito. Divertido ocasionalmente, mas a protagonista é extremamente irritante. Talvez esteja na hora de abandorar chick lits. Ou pelo menos preciso de personagens melhores.

Nota: 4.0

Pra quem está desesperado com meu nível cultural decadente, pra Fevereiro já terminei Chico e já engatei num Saramago. Bem melhor!

Anúncios

Musical Monday – Our Love Affair

Julho 12, 2010

Vocês provavelmente já cansaram de ouvir Judy Garland por aqui, e devem achar até um pouco previsível. Se esse for seu caso, faça seu próprio blog. Aqui Judy reina, fazer o quê? E eu tenho pesquisado muito sobre a vida dela, e assistido uns filmes que só agora tive acesso, e descubro pequenas jóias que nem essa. Our love affair é do filme O rei da alegria (Strike up the band), um dos mais famosos da dupla Garland e Rooney, e apenas um dos 3 que ela fez em 1940. And believe me, eles fizeram vários, incluindo a franquia Andy Hardy (Love finds Andy Hardy, Andy Hardy meets Debutante, Life begins for Andy Hardy). Acho que eles nutriam um verdadeiro carinho um pelo outro, o Mickey Rooney, pelo menos, sempre deu umas entrevistas muito calorosas a respeito dela, o que é quase um milagre. Trabalhar com Judy não era fácil, filmes foram cancelados devido a quantidade de atrasos que ela causava. Mas aqui ela ainda não era a diva que se tornou, era só uma menina, que interpretava a Girl Next Door, apaixonada por um menino que não dava muita bola pra ela. Judy demorou pra crescer nas telas, que eu me lembre foi só em Minha namorada favorita (For me and my gal), de 1942, dançando e cantando com Gene Kelly, que ela deixa de ser uma high school girl. E com o vozeirão que ela tinha, e a tendência pra uma música de fossa, é surpreendente que ela tenha durado tanto na fase menininha.

Our Love Affair foi indicada ao Oscar em 1941 mas perdeu merecidamente pra música do Pinóquio, When you wish upon a star. Strike up the band ganhou ainda o Oscar de melhor som e só por curiosidade, naquele ano Ginger Rogers ganhou o Oscar de melhor atriz, desbancando Bette Davis e Hatherine Hepburn. Mostra que o Oscar sempre gostou de quem traz the big bucks pra casa (outros perdedores do ano incluem Charles Chaplin pro James Stewart e Alfred Hitchcock pro John Ford).

Assistam então a versão de Our love affair do filme Strike up the band e depois uma pequena “reunion” de Judy e Mickey Rooney séculos depois, eles ligeiramente mais acabados, satirizando a si próprios, no programa de tv que a Judy tinha. Espero que gostem!


Musical Monday – Singin’ in the Rain

Março 1, 2010

Pra festejar o fim da estação “Inferno” que assolou o Rio de Janeiro nos últimos meses e festejar a temperatura amena e agradável em que estamos, vou postar algumas versões de uma música que me marcou muito por ser um dos maiores símbolos dos musicais de todos os tempos. Comecemos com Judy Garland (oh Judy), num filme chamado Little Nellie Kelly, de 1940, logo depois de O Mágico de Oz. Ela ainda estava um pouco perdida entre ser menina e ser adolescente, mas sempre me faz sorrir.

A música também foi utilizada nessa interessante cena do filme “The Hollywood Revue of 1929”. É a cena final do filme, mas como não assisti, não faço idéia do que se passa! Deve ser um daqueles filmes com vários esquetes musicais, e vale dizer que foi indicado ao Oscar de Melhor Filme.

Por mais que essa música tenha sido usada em diversos outros musicais, foi em Cantando na Chuva, com Gene Kelly, que ficou mais famosa. Pra quem não sabe, o roteiro desse filme, e de muitos outros da época, foi escrito por encomenda com o objetivo de utilizar músicas do Arthur Freed. Ou seja, primeiro escolhiam as músicas, e depois escreviam qualquer bobagem entre os números musicais só pra tentar justificar a existência deles. Por isso que acho incrível que esse filme seja tão bem escrito e que funcione tão bem no seu conjunto.

Por último, em homenagem a minha parede sangrenta (que pintei de vermelho no fim de semana) e que tem me dado princípio de psicopatia, fica uma cena foda, e que me dá arrepios. Singin’ in the Rain, versão de Laranja Mecânica:

Boa semana Little Monsters!


Um pouco de Judy para eternidade…

Dezembro 7, 2009

Ok, esse certamente é um post que devia ser escrito pelo Fil, então não vou ter pretensão de saber o que ele sabe sobre a diva, e vou me ater a simplesmente dar um gostinho de nossa querida Wicked Judy (Garland) que ontem me entreteve num filme sem muita história, mas que ainda assim me deixou fascinada pela ex-menina Oz do vozeirão que tanto me encantou esse ano.

Certamente uma das maiores, se não a maior diva de todos os tempos, Judy passou de child star, da  época em que a Metro Goldwyn Mayer torturava seres pequenos e inocentes, a grande estrela de Hollywood, que desceu a ladeira, fez seu comeback e morreu de overdose acidental de medicamentos para dormir. Depois dela, as leis que protegem os menores na industria do cinema começaram a entrar em vigor, mas nossa diva não deu sorte. Além de uma mãe que não sabia administrar seu dinheiro, contava com 72hrs de trabalho a base de anfetaminas e remédios para dormir. Um verdadeiro show de terror.

Ainda assim Judy deixou pra trás um legado de músicas esperançosas, emocionantes, e repletas de um talento único. Por isso resolvi fazer o post e deixar algum vídeos com seus sucessos que figuram minha lista de “Top tops Judy moments”, e olha que nem vi todos os filmes, mas conheço os momentos de tanto ouvir Mrs Garland no iTunes. Espero que gostem…

. The Trolley Song (Meet Me in St Louis)

obs: Essa cena aparece no filme de Sex and the City.

obs idiota: assisti ontem o filme pela primeira vez. Feel good movie with Judy!

. For me and my gal (For me and my gal)

obs: Aqui temos Judy e Gene Kelly. Ela foi uma das poucas a dançar com Gene e Fred!

. Get Happy (Summer Stock)

obs: Talvez minha música “animadinha” preferida de Judy. E não, nunca vi Summer Stock. Preciso de um intensivo com Fil.

. The Man That Got Away (A Star Is Born)

obs: Se o Fil fizesse um top com os Oscars mais roubados da história, esse provavelmente levaria o ouro. Essa música é absurdamente linda.

. Somewhere Over the Rainbow (Wizard of Oz)

obs: Não tem música ou momento mais clássico que esse, tem? Nas palavras da diva herself: “As for my feelings toward “Over the Rainbow”, it’s become part of my life. It is so symbolic of all my dreams and wishes that I’m sure that’s why people sometimes get tears in their eyes when they hear it”.

Depois faço um top com os melhores “covers” de Judy… porque existem vááárias versões também lindas, que certamente não fizeram Judy se revirar no túmulo.


Top 5 – Participações Especiais em Série

Novembro 13, 2009

Eu tenho memória de peixinho dourado, fato. Por isso, um top como esse pra mim é tortura total. Tenho certeza que tem 500 participações especiais que me fizeram chorar, rir, suspirar, me entupir de chocolate, fazer dancinhas idiotas e outros sensações diferentes que só a Deusa sabe porque eu sinto. Mas no momento eu pensei nessas e estou satisfeito, embora quase que 48h atrasado. Outro grande problema é que Wicked Sis postou muito antes e se eu colocasse algum dela, seria totally cheating. Ainda assim, Tracey Ullman  e Patricia Clarckson entrariam na minha lista any day. E a participação da Cher é uma das coisas mais engraçadas que Will and Grace já fizeram. And that is sayin’ something. But here we go again.

5- Victoria Beckham em Ugly Betty

victoria_betty1

Pra quem vê Betty (ninguém? ok, just me then…), o episódio do casamento de Wilhemina pra entrar na família Meade foi imperdível. Talvez pelo noivo ter um infarto e a noiva acabar roubando o sêmen do defunto, e depois tentado engravidar a amiga escocesa da Betty com o marido moribundo, mas que fez sexo antes da inseminação e estragou os planos da vilã, mas principalmente pela Victoria Beckham aparecendo em flashes o episódio inteiro tentando steal the thunder e aparecer mais do que a noiva. Gosto quando as celebridades brincam com suas imagens. E Betty teve algumas participações interessantes, a última foi a modelo brasileira que tinha fixação por uma fruta que só dava aqui e que supostamente seria a fruta da moda na próxima estação. No mesmo episódio, Lindsay Lohan em fim de carreira destrói todas as frutas antes do photoshoot. Pena que ainda assim a audiência esteja tão baixa.

4- Christina Ricci em Grey’s Anatomy

Grey-s-Anatomy-christina-ricci-3276630-2560-1707

Mais do que a participação dela, esse episódio foi fooooda, definitivamente um dos melhores de Grey’s. Todo o storyline da bomba, onde Miss Vandinha não podia tirar o dedo senão explodiria foi eletrizante. Ali também começou o lado suicida de Meredith (que mais tarde praticamente se suicidaria), e o gatinho que fazia Early Edition e depois fez King Kong, terminou explodindo com a bomba, numa cena super chocante. Christina Ricci também ganha pontos por ter feito uma participação foooda em Ally McBeal como uma advogada super bitch que teve um casinho com John Cage.

3- Kevin Bacon em Will and Grace

death_sentence_kevin_bacon

Talvez depois da Cher, essa seja uma das melhores participações de Will and Grace, série que ficou muito marcada exatamente pelos ótimos special guests. Nesse episódio, Jack McFarland se torna stalker do Kevin Bacon, que numa auto-paródia de si mesmo, acaba contratando Jack como seu assistente. O bacana é que Kevin, na série pelo menos, é totalmente obcecado por si mesmo, e gosta de ter um stalker. E em dois momentos pelo menos ele faz a dancinha de footloose. Clap Clap por saber se rir de si mesmo.

2- Christina Applegate em Friends

18420314_w434_h_q80

Ok, então a Patricia Clarckson participou de 7 episódios e ganhou 2 Emmys. Big Deal. Christina Applegate participou de 2 e ganhou por um e foi indicado pelo outro. God knows quantos ela ganharia com uns episódios a mais. Não querendo comparar as duas, mas a participação da ex-Kelly Bundy é hilária. E Friends tem 1 zilhão e meio de participações especiais memoráveis (incluindo a Punky da antiga série de tv, lembram dela? Ela faz a namorada do Joey que fica batendo nele. Bizarro, né?) Mas a briga das irmãs é clássica, acho que pouca gente conseguiu ofuscar os atores principais como Applegate (embora a crazy lady with the plates Monica esteja on fire). Mas Brad Pitt também foi ótimo, e Danny De Vito, e Jean Claude Van Damme, Helen Hunt, George Clooney, Julia Roberts…

1- Barbra em The Judy Garland Show

tumblr_kru5wqnfVg1qzcvveo1_400

Ok, mais um musical… grow up. Mas fazer o que, né? Thats who I am. Eu tento não ser esse ser cantante e pulante, mas eu não consigo. Não apenas a música é foda, Happy Days are here again não apenas é linda como se tornou hino do partido republicano depois. E Barbra, que na época não tinha feito nenhum filme e ainda se preparava pra se tornar a artista mais rentável por décadas, ganhadora de Emmys, Grammys e Oscar. E a Judy teria seu show cancelado pouco depois, teria uma overdose e morreria. Mas naquele instante, durante aquela participação, elas foram eternas, e graças ao youtube, nós podemos ver mesmo sem pagar 200 dolares em DVDs importados. E o bacana é que uma já alfineta a outra, just like the two divas they really are. E pra quem acha que isso foi muito musical, esperem até a semana que vem. hihihi

E segue um video com a participação do Kevin Bacon em Will & Grace seguido de algumas outras participações clássicas:


Update Festival do Rio

Setembro 28, 2009

Fiquei com invejinha dos Wicked Bros e resolvi postar também um update do que tenho visto nesses dias de Festival. E todos começam iguais porque somos uma família unida e vamos juntos ao cinema.

Viajo porque preciso, volto porque te amo

viajo

Talvez eu tenha sido a pessoa que mais gostou do filme, entre nós. Confesso que é um filme um tanto monótono, mas é um filme sobre o vazio, sobre a solidão, sobre a ausência, sobre a falta… E apesar dos protestos, eu gostaria de rever o filme, num momento mais desacelerado, mais introspectivo. Não funciona tão bem com Premiere Brasil, fila pra entrar, fila pro banheiro, Wicked Sis quase batendo na Maria Padilha pra garantir nossos lugares, Santoro tentando furar a fila… Mas toda a parte técnica é impecável. E tem uma idéia bem bacana. Concordo com tudo que minha Wicked Family falou, mas gostei um pouco mais que eles.

nota: 7,0

A Fúria

outrage_email_top2

Meu primeiro filme gay do Festival (normalmente vejo uns 5). Todo ano tem um documentário na Mostra Gay, alguns ruins (Here is looking at you, boy), outros muitos bons (Assim diz a Bíblia). Esse fica no meio termo. É bom, mas falta algo. As denúncias são interessantes, e é fácil de entender que aqueles políticos hipócritas são enrustidos e por isso “traidores” ao votar contra os direitos homossexuais. Típico caso do muleque que ajuda a bater na biba da escola pra que os outros não percebam que ele também é. Mas a verdade é que pra muitos dos casos abordados faltam provas. Dizer que conhece 5 ou 6 homens que transaram com tal senador escroto é uma coisa, provar é outra. Mas ainda assim é uma denúncia válida, tem seus momentos chocantes e consegue gerar uma indignação no público, o que provavelmente é o seu objetivo. Vale a pena!

nota: 7,5

For me and my Gal

megal

E daí que eu vi esse filme em DVD, e não no festival? Nem ligo. Infelizmente sou uma pessoa trabalhadora e não tive tempo de zanzar pelos cinemas no fim de semana. Deixei isso pra minha Wicked Family de desocupados. Mas esse filme é lindo. Mais uma parceria Judy Garland e Gene Kelly (este talvez tenha sido seu melhor parceiro). Garland nunca esteve tão magra na vida, os problemas das filmagens não transparecem de forma alguma. Você nem diz que ela estava drogada, deprimida, em direção ao fundo do poço em poucos anos. A música que também é título do filme just lovely, uma das mais famosas de Garland, e mostra um dos pontos fortes de sua carreira, que são os duetos levemente cômicos. Ela dança bem também, o que não é pouco, quando seu parceiro é Gene Kelly. O roteiro é que é meio básicão. A cena onde Kelly se descobre apaixonado por Garland realmente me fez pensar se alguém passou mais do que 30 minutos escrevendo a história. Ainda assim, só pela dupla principal já é imperdível.

Nota: 8,0