Drive e Positivamente Millie – O começo de 2013

Janeiro 2, 2013

Escolhi dois filmes muito interessantes e completamente diferentes para começar meu ano. O primeiro foi um dos maiores sucessos de crítica de 2012, “Drive”, filme que passei a virada devendo. Bad cinéfilo! O outro é um musical delicioso com a Julie Andrews, “Positivamente Millie”.

Drive (idem), de Nicolas Winding Refn – 2011

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“Drive”, de Nicolas Winding Refn

Confesso que não conheço muito bem esse diretor… Lembro de ler sobre “Valhalla Rising” e só. Mas ele realmente me surpreendeu bastante. Não é a toa que ele ganhou o prêmio de direção em Cannes. Cada frame desse filme parece meticulosamente bem escolhido. Personagens bem construídos, o Ryan Gosling continua sendo um dos melhores atores da atualidade, além de ser um tesão. Uma cena especificamente me marcou, pela forma como foi construída, e brilhantemente editada, dirigida, fotografada e atuada, quando um capanga entra no elevador com a Irene (Carey Mulligan, outra que teve um ano brilhante, fenomenal aqui e em Shame) e o Driver (Gosling, já disse que tá um tesão?). Acho que essa cena resume bem os personagens, a humanidade que Irene traz ao motorista, a violência que ele parece não querer usar, mas que parece ser inerente a sua vida. Também tenho que destacar a trilha desse filme, que é bem foda. E o elenco coadjuvante, só feras. Comecei bem o ano. Nota: 9,0

Positivamente Millie (Thoroughly Modern Millie), de George Roy Hill – 1967

Positivamente Millie

Assistir filme que ainda desconhecia da Julie Andrews é sempre um prazer. Acho que entre todas as divas de musicais, ela é a que tem uma das vozes mais “gostosas”. Acho doce, agradável, mesmo nos tons mais agudos. Acho que até a Wicked Rafa deve concordar com isso. Esse filme, engraçado, eu tinha ouvido falar mais pela peça. Eu sabia que a Sutton Foster, uma atriz que eu adoro, tinha feito uma versão e ganhado o Tonny por ela. Depois eu a assisti em Shrek e Anything Goes, e me apaixonei completamente, principalmente pelos números de sapateado. Mas achei que, como é a ordem natural das coisas, antes do filme de 67, já existisse a peça, e a Foster estivesse apenas em mais um Revival, como tanto acontece. Fiquei surpreso de descobrir que o filme é na verdade “original”, ou que não havia uma peça prévia na Broadway, e que as principais músicas foram compostas para o filme, e outras arrebanhadas da época em que a história se passa. Living and learning, né? O filme é uma graça, mas podia ter 1h a menos. Ele acaba se arrastando bastante, e bem desnecessariamente. E interessante ver o tema do tráfico de mulheres, tão “atual” na novela das 20h, ser retratado tanto tempo atrás. O filme é bobinho, mas tem umas atuações tão deliciosas… Julie Andrews deveria ter sido obrigada a fazer 1 filme por ano, nem que fosse coisa ruim. Assistir ela cantando me dá brilho nos olhos. Ela está ligeiramente careteira aqui, mas o filme pede. E perto da Carol Channing, ela está quase estóica. Difícil vai ser entrar em um elevador e não lembrar do número delicioso de sapateado de Andrews e Mary Tyler Moore. E não ficar imaginando que maravilha deve ter sido isso com Foster nos palcos. A “leveza” da história me lembrou um pouco os musicais mais antigos, coisas com músicas do Cole Porter, como o próprio “Anything Goes”. E também me diverti bastante vendo a dança da tapioca. ou começar uma campanha ela ser a dança do verão! Nota: 6,5


Musical… Tuesday – I could have danced all night

Março 16, 2010

I could have danced all night é uma das melhores músicas de “My Fair Lady”. Pra quem não sabe, Julie Andrews fez a personagem principal na Broadway, mas quando foram fazer o filme, colocaram a Audrey Hepburn, que na época era a namoradinha da América, e acharam que seria mais comercial. O resultado é que Audrey, que tem background como bailarina, foi dublada por Marni Nixon, uma cantora da época, em quase todas as músicas (se não me engano, só a primeira tem a voz original, e mesmo assim, em 30 segundos). Diz a lenda que Audrey, quando descobriu que seria dublada, saiu enfurecida do set, e no dia seguinte voltou pedindo desculpas por seu comportamento. Muito educado da Sra. Hepburn, mal sabe ela que todas as divas que vieram antes faziam o mesmo por muito menos.

Esse filme aliás, tem muitas lendas. Uma delas é que Audrey sentia vergonha de sua atuação no filme (e embora adore My Fair Lady, e adore Audrey, entendo exatamente o que ela quis dizer com isso). Ela mesmo admitiu que Julie Andrews deveria ter feito o filme, mas que se ela não tivesse aceitado, os estúdios teriam posto Elizabeth Taylor no papel. O Rex Harrison, que faz o par romântico no filme, e que fez na Broadway com Andrews, também não gostou da escalação, mas quando ganhou seu Oscar, agradeceu pras suas duas “Fair Ladys”. E pra provar que o povo de Hollywood gosta mesmo de um bafafá, naquele ano o filme ganhou 8 Oscars, mas Audrey nem foi indicada. Sabem quem ganhou? Julie Andrews por “Mary Poppins”, a tal que não era comercial e fotogênica, segundo os produtores. Só bafão!

Mas hoje farei justiça a Audrey, e publico aqui o filme com o áudio que ela gravou nos ensaios. Deixo pra vocês julgarem qual era a melhor, ou se era tão ruim que ela precisasse ser dublada, o que com certeza foi uma grande humilhação na época. Com vocês, Audrey’s voice:

Versão Original:

Agora Julie Andrews: