Broadway – Dia 01 – Hedwig and the Angry Inch

Janeiro 28, 2015

O que fazer quando ao chegar em NY em um sábado, você já perdeu todos os Rush Tickets possíveis, está quase de noite e você ainda não tem ingresso pra peça nenhuma? O jeito foi apelar pro TKTS da Times Square, coisa que eu odeio e evito ao máximo. A fila é sempre enorme, mas confesso que anda bem rápido. Também faço mea culpa porque me diverti muito quando um assistente da fila perguntou pras brasileiras atrás de mim o que elas queriam ver e elas responderam Mamma Mia e ele só mandou um “Damn Turists”. Confeço que ri. E peguei uma dica de “Nevermore”, um musical novo Off-Broadway que o pessoal da fila estava falando muito bem. Vou tentar encaixar.

Captura de Tela 2015-01-28 às 03.14.40Fila enfrentada, ficou a dúvida: O que assistir? Eliminando tudo o que eu já comprei, e tudo o que eu possivelmente conseguirei via Rush Tickets, tudo o que vale a pena comprar full price, e principalmente o fator de que gosto de começar e fechar bem, não podia escolher outra que não Hedwig. Talvez eu conseguisse por Rush, mas essa merecia um lugar melhor, uma visão perfeita… queria estar mais perto do palco, queria ver o John Cameron Mitchell de perto, queria sentir a vibração de assistir um dos atores/diretores/autores que mais admiro interpretar essa personagem tão incrível.

Pra quem não sabe, Hedwig estreou em uma boate em NY em 1994 e demorou alguns anos até estrear off-Broadway em 1998, ganhando vários prêmios. Em 2014, foi montada enfim na Broadway com Neil Patrick Harris como a protagonista (JCM afirmou que não queria fazer, que não queria o compromisso de ficar meses em cartaz, fazendo 8 shows por semana). Originalmente, o personagem protagonista seria Tommy, que é levemente inspirado no próprio JCM, um filho de militar, gay, que tinha uma babá/prostituta alemã, mas aos poucos Hedwig se tornou a personagem principal. JCM escreveu o book, com músicas de Stephen Frask. Na peça, acompanhamos Hedwig stalkear Tommy, seu ex-namorado, que roubou suas músicas e a abandonou. Já tentei algumas vezes escrever a sinopse de Hedwig mas nunca consigo. São tantos os temas que transbordam durante a peça… o não pertencimento, o deslocamento, a tentativa de Hedwig se tentar encontrar sua metade, de entender o que é a metade… a forma como ela dá uma parte de si tentando encontrar esse amor, essa aceitação, e como ela vai ficando amarga… Vivendo sobre o motto de que “to be free one must give up a little part of oneself”, ela acaba dando demais.

Fui, estava com medo, mas fui com medo mesmo. Medo de me decepcionar. São anos e anos de expectativa, um filme que marcou minha vida, uma das melhores atuações que eu vi no cinema, a melhor trilha sonora, e ano passado eu tinha assistido com o Neil Patrick Harris, o que por si só já é big high heels to fill. NPH tinha sido fenomenal. Ou seja, JCM tinha um pedestal pra escalar, embora eu soubesse que ruim dificilmente seria. Achei que não viveria pra ver o dia que assistiria JCM fazendo a peça.

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E o que dizer? Desde a entrada o público foi ao delírio. Percebi logo ali, de cara, que eu não era a única pessoa que sonhava em ver o JCM fazendo Hedwig na Broadway. Nem de perto. Era êxtase total. Chegou a um ponto onde o público levantava pra aplaudir no meio da peça. E merecido. Ao final da peça, não sei dizer quem estava mais satisfeito, mais destruído emocionalmente pela viagem que percorreu, JCM ou o público.

Sobre as diferenças da versão anterior pra essa, são tantas que é até difícil enumerar… as piadas com o público mudam muito, até pq é quase um stand up, muitas piadas com fatos atuais… Eu senti JCM mais a vontade, como é de se esperar. Menos “ensaiado”. Dava pra perceber que ele fugia muito mais do roteiro, brincava mais livre… Eu sentia NPH interpretava muito bem Hedwig, mas JCM é Hedwig, e isso é muito difícil de competir. Aliás, os momentos menos inspirados da versão de Mitchell é quando ele parece “obrigado” a seguir uma coreografia… NPH é Broadway, combina com ele. Os saltos, os movimentos coreografados de microfone… lindos, e certamente ele pula e cai todo dia no mesmo lugar. E não tem nada de errado com isso. Mas JCM é punk rock, ele não acerta as notas como costumava fazer, nem como o NPH fez, mas ele é puro coração, sentimento. A cada música você vê aquele personagem sendo despido (até literalmente) e é emocionante demais. Não tem como não sentir que é o próprio JCM se despindo, se doando, entregando uma parte de si pra platéia, vivendo aquela catarse. Pra quem estiver na Broadway pelas próximas semanas, vale muito a pena.

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PS: JCM é muito tímido, e no final ele não assina as Playbills, nem tira selfies, mas sai distribuindo balas autografadas, as mesas citadas na letra de “Sugar Daddy”.

Destaques

Nossa, escolha de Sofia… Amo tanto todas as músicas dessa trilha… Mas acho que a minha favorita, e principalmente, a que ficou mais foda nessa versão da Broadway atualmente, é The Origin of Love (mas o que segue é a versão do filme, com o JCM)


Drive e Positivamente Millie – O começo de 2013

Janeiro 2, 2013

Escolhi dois filmes muito interessantes e completamente diferentes para começar meu ano. O primeiro foi um dos maiores sucessos de crítica de 2012, “Drive”, filme que passei a virada devendo. Bad cinéfilo! O outro é um musical delicioso com a Julie Andrews, “Positivamente Millie”.

Drive (idem), de Nicolas Winding Refn – 2011

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“Drive”, de Nicolas Winding Refn

Confesso que não conheço muito bem esse diretor… Lembro de ler sobre “Valhalla Rising” e só. Mas ele realmente me surpreendeu bastante. Não é a toa que ele ganhou o prêmio de direção em Cannes. Cada frame desse filme parece meticulosamente bem escolhido. Personagens bem construídos, o Ryan Gosling continua sendo um dos melhores atores da atualidade, além de ser um tesão. Uma cena especificamente me marcou, pela forma como foi construída, e brilhantemente editada, dirigida, fotografada e atuada, quando um capanga entra no elevador com a Irene (Carey Mulligan, outra que teve um ano brilhante, fenomenal aqui e em Shame) e o Driver (Gosling, já disse que tá um tesão?). Acho que essa cena resume bem os personagens, a humanidade que Irene traz ao motorista, a violência que ele parece não querer usar, mas que parece ser inerente a sua vida. Também tenho que destacar a trilha desse filme, que é bem foda. E o elenco coadjuvante, só feras. Comecei bem o ano. Nota: 9,0

Positivamente Millie (Thoroughly Modern Millie), de George Roy Hill – 1967

Positivamente Millie

Assistir filme que ainda desconhecia da Julie Andrews é sempre um prazer. Acho que entre todas as divas de musicais, ela é a que tem uma das vozes mais “gostosas”. Acho doce, agradável, mesmo nos tons mais agudos. Acho que até a Wicked Rafa deve concordar com isso. Esse filme, engraçado, eu tinha ouvido falar mais pela peça. Eu sabia que a Sutton Foster, uma atriz que eu adoro, tinha feito uma versão e ganhado o Tonny por ela. Depois eu a assisti em Shrek e Anything Goes, e me apaixonei completamente, principalmente pelos números de sapateado. Mas achei que, como é a ordem natural das coisas, antes do filme de 67, já existisse a peça, e a Foster estivesse apenas em mais um Revival, como tanto acontece. Fiquei surpreso de descobrir que o filme é na verdade “original”, ou que não havia uma peça prévia na Broadway, e que as principais músicas foram compostas para o filme, e outras arrebanhadas da época em que a história se passa. Living and learning, né? O filme é uma graça, mas podia ter 1h a menos. Ele acaba se arrastando bastante, e bem desnecessariamente. E interessante ver o tema do tráfico de mulheres, tão “atual” na novela das 20h, ser retratado tanto tempo atrás. O filme é bobinho, mas tem umas atuações tão deliciosas… Julie Andrews deveria ter sido obrigada a fazer 1 filme por ano, nem que fosse coisa ruim. Assistir ela cantando me dá brilho nos olhos. Ela está ligeiramente careteira aqui, mas o filme pede. E perto da Carol Channing, ela está quase estóica. Difícil vai ser entrar em um elevador e não lembrar do número delicioso de sapateado de Andrews e Mary Tyler Moore. E não ficar imaginando que maravilha deve ter sido isso com Foster nos palcos. A “leveza” da história me lembrou um pouco os musicais mais antigos, coisas com músicas do Cole Porter, como o próprio “Anything Goes”. E também me diverti bastante vendo a dança da tapioca. ou começar uma campanha ela ser a dança do verão! Nota: 6,5


Crítica – Cinderela em Paris (Funny Face, 1957)

Outubro 16, 2009

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Eu adoro Audrey Hepburn. Já assisti quase toda a sua filmografia, e é com esse poder, e com todo amor no coração, que eu digo: ela não sabe cantar. Se eu tinha alguma dúvida depois de vê-la cantarolando Moon River no violão em “Bonequinha de Luxo”, esse filme não deixa dúvidas. E suas piores atuações estão sem dúvida nos musicais. Depois de “Funny Face”, decidiram dubla-la em “Minha Bela Dama”. Ainda assim, os filmes não seriam os mesmos sem ela, e eu não sonharia em mudar esse casting nem por um momento.

Hepburn É Funny Face. Fred Astaire ainda é genial? Claro. Kay Thompson é muito melhor cantora e rouba as cenas em que aparece? Com certeza. Você desgruda os olhos de Hepburn? Nem por um momento. E Stanley Donen, diretor que já havia trabalhado com Astaire em Noites de Núpcias, com Gene Kelly em Cantando na Chuva, tinha dirigido “On the Town” (Flashback pessoal pra um reveillon em Palm Springs onde eu muito bêbado assisti esse filme numa loja de conveniência, segundos antes de desmaiar numa banheira de hidromassagem), “Sete noivas para sete irmãos” entre outros, sabe o ícone que tem. E ninguém poderia interpretar um ícone fashion que durasse até hoje como Audrey Hepburn. Pra você ter uma idéia, o filme já tem 52 anos que foi filmado e os figurinos continuam impecáveis e muito pouco datados até hoje. Ponto pra atriz e pro seu estilista e amigo pessoal Givenchy, que criou as roupas utilizadas no photoshoot de moda do filme (e de muitos outros filmes dela, desde “Sabrina”).

Não me entendam mal, eu não acho Audrey Hepburn uma atriz ruim. Acho ela muito esforçada, mas acho que precisa de uma ótima direção de atores. Como Holly, em “Bonequinha de Luxo”, ela está perfeita. Assim como a Freira de “Nun’s Story”, como “Sabrina”, ou como a princesa de “Roman Holiday”. Ela mesmo dizia que se sentia uma atriz limitada, e chamar Givenchy pra fazer suas roupas era uma forma de entrar mais no personagem, de se cercar de artifícios que a ajudassem. E tenho que dizer que embora cantando ela não impressione, dançando ela é muito melhor do que eu imaginava. Além das linhas lindas que ela consegue, coisa de ex-bailarina, ela tem um número bem impressionante de dança moderna, de simples expressão corporal, bem incomum num musical desse porte. Aposto que deve ter deixado até Fred Astaire meio embasbacado.

O filme, no geral, é fofo. Um pouco machista, pro meu gosto, mas não podia esperar muito mais de um musical americano de 57. Vale pelo figurino, por Audrey, pelas danças, por Kay Thompson como um Diabo veste Prada embrionário, e por Paris, que ganhou um cartão postal em película, com um grande elenco.

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Crítica Teatral (sim, a gente ataca em todas as áreas) – O Despertar da Primavera

Outubro 2, 2009

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Eu sou um grande fã de musicais, e isso todo mundo já deve ter reparado. Ainda assim, não levava muita fé nessa peça. Esse tanto de jovens juntos cantando sobre as desventuras do primeiro amor, primeiro beijo, descoberta do sexo… cheirava muito a High School Musical versão alemã de 1890 (incrivelmente, época em que a peça foi escrita) . Ainda assim, Charles Moeller e Claudio Botelho tem crédito comigo. Não só por serem responsáveis pelo retorno da onda de musicais nos teatros brasileiros, mas pelo alto nível de suas produções, com destaque pra “7” e “Noviça Rebelde”. Então lá fui eu assistir a peça, que na sua versão americana para a Broadway ganhou uns 8 Tonys.

De cara, achei que não tinha errado muito. As coreografias e as músicas meio pop rock lembram vagamente um High School Musical Alemão, mas num bom sentido. Sem amadorismos, entretenimento de qualidade, e sem a superficialidade. A peça aborda temas bem mais obscuros do que apenas o primeiro beijo. É sexo mesmo, com direito a um “Gostoso é no boobs” pra minha Wicked Sis e uma naked butt numa cena bem legal, que encerra o primeiro ato. Pena que a cena se repete na abertura do segundo, o que tira um pouco a força da primeira vez. E isso é teatro, não precisa tanto de um “Previously, in Spring Awakening”.

No geral, gostei mais do primeiro ato. O tom está mais na medida certa, as incersões de comédia não me incomodaram tanto. Mas a peça é muito boa. O roteiro é bem afinado, a direção tem pequenos deslizes apenas, e o cenário é fantástico na sua simplicidade e utilização. A única coisa que realmente me desagradou foi o tom exageradamente cômico em toda a história envolvendo um personagem homossexual e na morte de um outro personagem. Foram pequenos detalhes, um tom de voz, uma pose histriônica, que não combinam com o resto da peça. Mas isso é pouco no contexto geral de uma obra bem bacana.

O elenco é um caso a parte. O protagonista, Pierre Baitelli, não é um primor cantando. Confesso que na primeira música, quando ele começa as primeiras notas, torci pra que a peça se centrasse em outro personagem vivido por Rodrigo Pandolfo (velho “amigo” de Teste de Elenco). Mas no decorrer, você percebe que Pierre é perfeito pro personagem, e não mudaria sua escalação de forma alguma. Uma coisa meio Johnny Depp em Sweeney Todd, ele não canta, mas carrega o personagem nas costas. Os únicos no elenco que realmente me incomodaram foram exatamente o casal de adultos, que interpretam todos os personagens mais velhos simplesmente mudando de roupa. Débora Olivieri e Carlos Gregório definitivamente são o elo fraco dessa montagem.

Destaco também uma cena linda, certamente a mais forte e mais impressionante de todo o espetáculo, a cena que aborda o incesto. Mesmo vendo Ilse em visão parcial, e com a uma amiga ao meu lado gargalhando, a cena é linda e comovente. E por cenas como essa, eu recomendo Despertar da Primavera.

Nota: 7,5


Crítica – Hedwig – Rock, Amor e Traição

Junho 22, 2009

hedwig_rock_traicaoDurante boa parte da minha adolescência, eu esperava ansiosamente pela revista da TVA. Lia todas as sinopses de filme, a procura de algum sinal de homossexualidade. Lembro de estar sempre ávido por mais informação, por identificação, algum sinal de normalidade em tudo que se passava na minha cabeça. E embora eventualmente eu achasse pérolas como “Beautiful Thing” e os meus primeiros filmes do Almodóvar (sempre no Eurochannel), o mais comum era assistir reprises de “Priscila” e “Wong Foo”. “Nada contra, clap, clap, to na mesma luta, mas eu não me identifico” (by André Fischer). 

Então, em 2001, já com meu primeiro namorado, quando ouvi falar em um filme sobre um transsexual obcecado por seu ex, que roubou suas composições e se tornou famoso as suas custas, esperava qualquer coisa, menos o que eu encontrei. 

Hedwig é muito mais que um filme gay. Ele vai além de qualquer nicho. Ele não é apenas um filme musical. Hedwig tem muitos níveis, e é maravilhoso em todos eles. Sua porção comédia, recheada de um humor ácido, é delicioso, e fundamental na construção do personagem. Assim como as músicas endossam os diálogos do filme brilhantemente. 

Tudo no filme está no lugar correto, de forma sensacional, e ainda assim, são coadjuvantes perto da interpretação de John Cameron Mitchell, também diretor do longa. Eu considero que é uma das melhores interpretações da década, e até hoje me emociono ao assistir. Na cena final, com Hedwig sem peruca, maquiagem borrada, eu sempre fico comovido. É um filme que me toca de uma forma diferente, ele me pega pela mão e me mostra sentimentos e sensações muito intensos.

Acho que no fundo, tem filmes que são assim. Eu lembro de assistir Marcas da Violência e pensar: é um filme bom, mas não me toca. Sei admirar as qualidades do filme, mas não é o MEU filme. Hedwig é o oposto. É quase chave-fechadura. Hedwig desperta coisas diferentes em mim. Tenho uma relação totalmente especial e única com ele, que eu sei que ninguém mais tem. Ele dialoga comigo. Naquele momento final, ele olha pra Tommy, e eu olho pra ele. É como quando eu saí chorando do cinema quase gritando “I CHOSE LIFE” ao final de As Horas. Filmes podem fazer isso com a gente, não é? E John Cameron Mitchell fez.

Nota: 10,0


A Hard Top Night – Musicais

Junho 17, 2009

Maldito dia que escolhi esse tema como Top 5. Depois de quebrar a cabeça por hooooras, cheguei num Top 13,  sofri pra selecionar 8, e por fim usei minha criatividade em formas diferentes de burlar as regras que nós mesmos criamos. E eis aqui meu top, e meus prêmios criativos.

5 – Funny Girl – Uma Garota Genial – 1968

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Hello, Gorgeous!

Eis um clássico musical. O primeiro filme da carreira de uma das divas mor dos musicais, Barbra Straisand. Tantas cançõess marcantes, My Man, Dont Rain on my parade, People, Sadie, Sadie, I’d rather be blue over you… Pra quem não sabe, o filme foi a maior bilheteria do ano de 1968. O par de Barbra, Omar Sharif, só conseguiu o papel porque Miss Strainsand VETOU Frank Sinatra. Now, that’s a real diva! Ainda foi lá, convenceu um diretor foda (e surdo) a fazer o filme, e ganhou o Oscar. Clap, Clap, Clap! Well deserved!

4- Hedwig – Rock, Amor e Traição – 2001

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To be free, one must give up a part of oneself

Primeiro, pausa pra rir da Wicked Sis que colocou o título errado, como o de um filme nacional muito ruim (hihihihi). Moving on, filme foooooda. Ele é mais que um musical, ele me toca (ui) em pontos que vão muito além, me faz refletir, cantar junto, tem um roteiro brilhante, personagens bem construídos, direção, arte, tudo em perfeita harmonia. Assisti o filme DUAS vezes no cinema (mais uma pausa pra zuar a amiga hihihihi), ambas me marcando bastante. A atuação do John Cameron Mitchell (indicado ao Globo de Ouro), pra mim, está entre as melhores dessa década. Sensacional.

3- O Mágico de Oz – 1939

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Toto, I’ve a feeling we’re not in Kansas any more

Mais um filme de estreia de uma das grandes divas dos musicais, Judy Garland. Fiquei em dúvida se colocava esse ou Nasce Uma Estrela pra representar Judy neste Top 5, mas esse é mais icônico. Somewhere over the rainbow é uma das melhores músicas já compostas, e marcou a carreira de Garland até o fim. O filme teve 1001 histórias de bastidores, que incluíram diretores demitidos, alergias a maquiagem, e cenas cortadas por serem muito assustadoras, anões criando caos no set… impressionante que tenha se tornado o filme que é. Um dos primeiros musicais a usar a música como forma de expressão direta de quem canta, não necessariamente tendo um stage pra justificar. É um filme lindo, pra entrar na história do cinema.

2- Moulin Rouge – Amor em Vermelho – 2001

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I’ve paid my whore

Aonde tudo começou pra mim. No meio do meu intercâmbio me deparei com essa pérola, filme de cabeceira, essência de tudo que é belo, harmonioso, original e homenagem na medida certa. Tem importância fundamental na história dos musicais, conseguiu trazer o gênero de volta do limbo e graças a ele, muitos dos sucessos musicais de hoje em dia foram possíveis. Tem o mérito ainda de não ser uma adaptação da Broadway, coisa rara. A direção soube dosar perfeitamente o que precisava ser adaptado a tecnologia atual, trazer para uma nova linguagem, sem perder o que precisa ser mantido. Por muito pouco não ficou em 1º.

1- Cantando na Chuva – 1952

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“People”? I ain’t “people.” I am a – “a shimmering, glowing star in the cinema firmament.”

Poucos filmes tiveram a sagacidade de parodiar o próprio gênero e ainda assim, ser um musical de primeira grandeza. Não satisfeito, ainda criou números musicais que eternamente serão a imagem principal associada a esses filmes. Gene Kelly foi certamente um dos maiores gênios musicais da história, se não o maior. Dançando na chuva é um momento clássico, irresistível, delicioso, um amálgama de tudo de melhor que os musicais podem oferecer, sem ofender a inteligência do telespectador (erro comum nessa época), sem estranheza. É simplesmente fantástico. Ele como topo do top é um pouco conservador, mas mais do que merecido.

Menção Especial

Todos dizem eu te amo – 1996

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I’m through with love, I’ll never fall again

Woody Allen fez uma paródia/ode aos musicais inesquecível. Combinou poesia e comédia como só ele consegue. A cena final, quando ele dança com Goldie Hawn às margens do Sena, é de tirar o fôlego. Perdi a conta de quantas vezes eu voltava o VHS e ficava repetindo inúmeras vezes. A gente esquece que é o gênio velho caquético que está dançando. Lindo demais. O roteiro é maravilhoso, e o elenco soube entrar na brincadeira e não se levar a sério. Perfeito.

Prêmio Especial de Filme Estrangeiro

20 Centimetros – 2005

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Que me perdoem os fãs dos filmes de Jacques Demy, mas que Guarda-Chuva do Amor que nada, 20 Centímetros ganha o prêmio especial de filme estrangeiro. Me doeu não colocar 8 Mulheres, mas eu não troco a travesti narcolepsa por mulher francesa nenhuma! Junte-se a isso um anão e um feirante GOSTOSO e você terá um filme sensacional! Trilha maravilhosa também, eu recomendo fortemente.

E pra não dizer que não falei das flores, cito ainda Cabaret, Dançando no Escuro, Grease, Once, Noviça Rebelde, Mary Poppins, Agora seremos felizes e o MARAVILHOSO All that Jazz – O Show tem que continuar.


Top 5 – Musicais

Junho 17, 2009

Eu sabia que quando chegasse a vez do meu twin escolher um tema, esta seria a escolha dele: os musicais. O maior problema que eu tenho com isso é porque estou p* da vida de deixar tantos filmes incríveis de fora da minha listinha. No final farei duas menções especiais que quase chorei quando não consegui encaixar na minha listinha. Esses Top 5 são cruéis… Mas tendo que filtrar minhas opções, estes são os cinco melhores musicais que já vi:

5. Cabaret (1972)

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Sim, se esse é o número 5, imagine o resto. Acho que até hoje eu fico embasbacada com esse filme! Era 1-9-7-2 quando Bob Fosse dirigiu esse clássico que transbordava transgressão sexual, música e ela… Liza Minnelli! Filha da maior diva dos musicais, Judy Garland, Liza provou que não era sombra da mamãe nesse filme tão audacioso. Sem contar a direção, a fotografia, e o clima boêmio que o filme insinuava. Quem não viu, não sabe o que perde.

“What good is sitting alone in your room/ Come hear the music play/ Life is a Cabaret ol’ chum/ Come to the Cabaret!”.

4. A Noviça Rebelde (1965)

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Um dos maiores clássicos da minha infância. Acho que assisti A Noviça Rebelde umas vinte vezes, fácil! Sem contar que o filme conta com uma das maiores divas dos musicais, na minha opinião. Julie Andrews não só protagonizou esse filme, como também Mary Poppings (Oscar de Melhor Atriz pra nossa digníssima) e Victor e Victoria, que também merecia estar numa listinha dessas… snif. Enfim, o filme conta a história de Maria, a rebelde noviça (rs) que vai trabalhar na manção da família Von Trapp como governanta e acaba se apaixonando não só pelo capitão Von Trapp, mas por sua família.

“Girls in white dresses with blue satin sashes/ Snowflakes that stay on my nose and eyelashes/ Silver white winters that melt into Springs/ These are a few of my favorite things”.

3. O Mágico de Oz (1939)

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Mais um obrigatório pra qualquer lista de musicais. E talvez se eu estivesse restrita a classicos esse seria meu número um. Judy Gardand como Dorothy enfrentando a Bruxa Má do Oeste, acompanhada por um homem de lata, um leão e um espantalho! A produção custou uma fortuna, e tinha cores impressionantes para a época. Inspirou (fato) um dos maiores cds de rock progressivo da história, The Darj Side of the Moon, do Pink Floyd, entre outros projetos, como a mini-série recente (beeem fraquinha) Tin Man (2007).

“Somewhere, over the rainbow, bluebirds fly/ Birds fly over the rainbow/ Why then – oh, why can’t I?”.

2. Moulin Rouge – Amor em vermelho (1999)

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Meu record de fanatismo no cinema: fui 11 vezes ao cinema pra assistir Christian e Satine declararem seu amor trágico! Clap clap clap! Obviamente sei todas músicas de cor, e muitos dos diálogos. Até hoje canto “Like a virgin” com o sotaque do Zidler, e imito o “They’re trying to kill you” do Toulouse… Gostaria de ter deixado o Moulin Rouge em primeiro lugar, mas não dava… De qualquer maneira, nunca Nicole Kidman esteve tão linda, no auge da carreira (antes de virar a pagadora de mico, que atualmente ela é)! Barz Luhrman com suas cores quentes, e edição “mtv-esca”, trouxe os musicais de volta ao gosto do “povo”, misturando música pop com o estilo musical clássico, e merecia o Oscar por isso. Mas acabou indo pra Chicago, no ano seguinte. Obviamente o filme não chegava aos pés de MR… tanto que nem passou perto da minha listinha. Fazer o que? Oscar não sabe premiar…

“Love lifts us up where we belong, where the eagles fly, on a mountain high/ Love makes us act like we are fools, throw our lives away for one happy day”.

1. Hedwig – Rock, amor e traição (2001)

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O rock star mais raivoso e amargurado que o mundo indie já conheceu: HEDWIG! Meu maior trauma de vida foi ainda não ter assistido esse filme no cinema… snif. Mas sem problemas, porque mesmo na telinha ele foi grande o suficiente pra me chocar pro resto da vida. A trilha é contagiante ao extremo, a direção é incrível, e a história simplesmente escandalosa. Porém no fundo é doce, inocente, frágil, e por isso Hedwig conquista e sensibiliza como poucos. Eu sou simplesmete apaixonada por esse filme, e ele integra minha trilogia pessoal de ser (risos). Fica ai o Top dos tops: Hedwig and the Angry Inch!

“My sex-change operation got botched/ My guardian angel fell asleep on the watch/ Now all I got is a Barbie Doll-crotch/ I got an angry inch”.

Menção especial para:

. Dançando no Escuro (2000)

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Björk e Lars Von Trier. Tá ai uma dupla inesperada que deu certo! Tão certo que a coitada prometeu nunca mais atuar na vida! Mas tudo bem, foi o suficiente. Um filme de consumir suas entranhas de tanta “maldade”, mas ainda assim belo. Vale a pena assistir uma vez. Repetir é como aut-tortura, mas cada um sabe o que faz. E ouvir “I’ve seen it all” nas vozes da Björk com o Tom Yorke é um prazer que consegue te fazer esquecer a crueldade que o filme traz. Lembrando ainda que sem esse filme não teríamos a cantora vestida de ganso/cisne/pato/whatevah no Oscar 2001! A-dou-ro.

. Rocky Horror Picture Show (1975)

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O Hedwig da década de 70 talvez… Queria tanto ter encaixado esse filme no Top 5… Mas não deu, uma pena. Esse filme é simplesmente sem-noção, o que faz dele um clássico! Com um elenco incrível e um visual pra lá da travecolândia, o filme é contagiante. A música “Sweet Transvestite” é de cair o queixo! I-m-p-e-r-d-í-v-e-l 😉

E acho que é isso ai! Até o próximo Top 5!