Broadway – Dia 02 – The Elephant Man

Janeiro 29, 2015

EM2Meu segundo dia na Broadway foi definitivamente um dos mais cansativos de todas as minhas viagens pra essa terra. Pra começar, como é minha primeira vez no inverno, o frio finalmente começou a pegar pesado. Se você estava numa bolha e não leu nenhuma notícia sobre NY nos últimos dias, uma tempestade histórica estava programada pra chegar por aqui na segunda, e nesse meu segundo dia, o domingo, já estava bem frio. Como sempre faço, acordei e fui correr atrás de Rush Tickets. Como aos domingos as bilheterias só abrem ao meio dia, achei que chegar 10h estava de bom tamanho. Meu plano inicial era tentar algo menos concorrido, “It`s only a play” ou “Disgraced”, mas ao passar em frente ao teatro do “The Elephant Man” e ver a fila relativamente pequena, umas 10 pessoas, achei que era uma boa tirar essa mega concorrida do caminho. Afinal, o ator principal é o Bradley Cooper, queridinho de Hollywood, que acabou de ser indicado pela terceira vez seguida ao Oscar.

Aqui vale explicar como funciona o Rush Ticket dessa peça especificamente. Quando a bilheteria abre, se os ingressos pras sessões do dia estiverem esgotadas, eles vendem 16 ingressos chamados Standing Room Tickets. Isso significa que você assiste em pé, atrás da platéia, e paga um preço mais barato. Nesse caso, 42 dólares. Tudo parecia tranquilo, foram duas horas na fila batendo papo com outros fãs de teatro, no frio congelante, mas tudo dentro do esperado. O problema foi quando abriu a bilheteria, e descobrimos que a peça não estava esgotada… Como pode? Ator de cinema, peça clássica, fim de semana em NY… o jeito foi fazer o que qualquer pessoa normal faria. Ficar em pé na fila até a peça esgotar. Ou seja, fiquei em pé de 10h até as 15h, hora que começou a matiné. E a peça não esgotou. Desespero na fila, gritaria e confusão. Ninguém entendia como a peça não estava esgotada, mas ainda tinham 11 ingressos, a 159 dólares para serem vendidos. O que fazer? O que qualquer pessoa normal faria, continuar em pé pra ver se a sessão das 19h esgotaria. Até que deu 16h30 e a mulher da bilheteria se apiedou da gente e decidiu vender os ingressos promocionais, mesmo com a peça sem estar esgotada. Ou seja, foram 6h30 em pé esperando pra pagar 42 dólares para ter o direito de ficar mais 2h em pé assistindo uma peça.

Valeu a pena? Sim, sempre vale a pena. O Homem Elefante é uma peça de 1977, escrita por Bernand Pomerance, que já foi encenada diversas vezes (uma vez até com o David Bowie), ganhou vários Tonys e Drama Desks, e que é mais conhecida do grande público pelo filme dirigido pelo David Lynch com o John Hurt, se não me engano. O filme não foi baseado na peça, mas ambos, filme e peça, se inspiraram na vida de Joseph Merrick, um homem com severas deformidades pelo corpo que viveu em Londres no final do século 19. Viveu sendo exibido em feiras, até ir morar no Hospital de Londres, se tornando querido da aristocracia inglesa. A versão atualmente na Broadway tem Bradley Cooper como o homem elefante, Alessandro Nivola como o médico responsável por estuda-lo, e Patricia Clarkson como Mrs. Kendall, uma atriz que tenta integrar Merrick de volta à sociedade.

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O maior problema da peça é ser extremamente convencional. Dos cenários, ao tom dos atores, iluminação, ao texto… tudo parece carecer muito de coragem de ousar, de sair do seu quadrado… Talvez seja reverência demais ao texto original. Uma pena, e de um diretor experiente. Só pra dar uma dimensão, Scott Ellis, o diretor, tem outras 3 peças só essa temporada (You can`t take it with you, The Real Thing e On The Twentieth Century). Vamos ver se nas outras que eu assistir ele se sai melhor. Também é conhecido (aparentemente por todo mundo, menos eu, como descobri na fila pros ingressos) que Bradley Cooper é apaixonado pelo texto, e fez sua tese no Actors Studio sobre ela.

Como comparação, a última peça que vi no Brasil foi exatamente uma montagem de O Homem Elefante que está em cartaz no Rio e que é incrível. O que eles fazem com apenas 4 pessoas e um teatro intimista e uma iluminação fenomenal, e atuações viscerais… é uma aula de teatro que o Bradley Cooper devia ter assistido. A atuação do Bradley é até muito boa, assim como a de Alessandro Nivola. Sempre inteligentes, fazem todas as nuances do texto de forma correta. Bradley faz seu melhor personagem, mas nem sempre um texto super estudado significa que o resultado é extraordinário. Patricia Clarkson, por exemplo, parece tão mais a vontade, mais fluída, mais brincando com o texto, sempre tomando cuidado pra não destoar, mas sem se engessar dentro da montagem restritiva.

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Ainda é uma ótima peça, mas definitivamente não é tão memorável quanto eles gostariam que fosse. Aliás, tô me esforçando pra escrever sobre, pois de domingo pra cá eu já vi 3 peças infinitamente melhores, que realmente parecem querer levar o teatro pra outros caminhos. A Broadway não é lugar comum, e as peças aqui não podem se conformar em simplesmente serem corretas.

Nota: 6,0

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Coming Soon – Easy A (2010)

Maio 24, 2010

Dica da fiel wicked leitora Carol, mais um filme que deve ser muito divertido e que eu particularmente fiquei na expectativa de ver. Até porque desde Superbad, Emma Stone, protagonista do filme em questão, mora no meu coraçãozinho! rs O filme ainda não tem nome em português, mas o plot é o seguinte: uma garota certinha, ainda virgem, que começa a ajudar os “losers” do colégio em troca de popularidade e dindin. Óbvio que a fama de piranha vai extravasar as proporções e dar merda, mas não tanto que nossa “pseudo whore” não tenha um final feliz.

O elenco de apoio é sensacional, incluindo a maravilhosa Patricia Clarkson, Stanley Tucci, Lisa Kudrow e Thomas Haden Church, o que também dá mais crédito pro filme e roteiro em si. Alguém mais animou pra assistir? Adoro esse tipo de filme, na mesma linha de Whip It, Adventureland, Superbad, Saved! e até mesmo o Nick and Norah’s Infinite Playlist (que é mais fraquinho, mas eu ainda curto).

Faltou dizer que a estreia nos EUA está apontada para Setembro de 2010. Só deus, quando o filme chega por aqui. Assim como Whip It e Youth in Revolt que nunca chegaram aos cinemas brasileiros, é possível que tenhamos que esperar pelo dvd ou baixar assim que cair na internet.

Na sequência o trailer em HD legendado! A Carol é muito mais boazinha que a gente…rs


Top 5 – Participações especiais (Séries)

Novembro 11, 2009

Engraçado como eu normalmente já sei quem ou o que vai entrar no meu top 5, mas de vez em quando eu acabo tirando da cartola uns temas que vão “crescendo dentro de mim” e a memória corre devagar tentando alcançar o que já tá no papel (sim, eu coloco sempre os 5 no papel antes de começar a pensar em escrever aqui). Esse top foi um desses e quando eu pensava “fechado” me vinha outro nome importantíssimo em mente, e por isso acabei deixando muita gente de fora.

O título do top da vez? Participações especiais em séries. E como eu sou uma junkie pelo tema tive muitas lâmpadas acesas ao longo do dia. No final cito aqueles que ou passaram muito perto ou até estavam no top antes de terem sido jogados pra trás por um dos seguintes:

5. Zooey Deschanel como Kat  (Weeds)

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Eu não sei quando foi que eu me apaixonei pela Zooey, mas já faz um bom tempo que esse caso de amor psycho começou e obviamente fiquei em êxtase quando ela apareceu numa das minhas séries favoritas, fazendo o papel de uma “maluquete” hipponga ex-namorada psycho do meu queridíssimo Andy Botwin (Justin Kirk). Por quatro episódios, Kat chegou, desarrumou, e foi expulsa pela mamãe traficante. Levou consigo a van de Andy e o filho mais novo de Nancy, Shane, que assim como eu não resistiu aos belos olhos azuis da digníssima Zooey Deschanel.

4. Evan Rachel Wood como Sophie-Anne Leclerq (True Blood)

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Eu amo o Alan Ball de paixão, mas o casting de True Blood é muitas vezes duvidoso, se você é fã dos livros. Mas um acerto “bullseye” foi colocar a diliça da Evan Rachel Wood no papel da jovem rainha Sophie-Anne. A primeira cena de Evan na série consistia nela se deliciando no sangue da priminha da Sookie (super mal casted) e revelando seu lado lés, afinal nos livros ela realmente gostava da moçoila. Ela quase caiu do top, mas a possibilidade de mais Leclerq na próxima temporada me deixa on “edge” e garante a ERW o quase-bronze.

3. Tracey Ullman como Dra. Tracey Clark (Ally McBeal)

Tracey Ullman (Ally)

Por 5 episódios de Ally McBeal, a personagem título teve a brilhante idéia de se consultar com uma psicóloga mais sequelada que ela. E foi simplesmente hilário e imperdível. Eu não tenho as temporadas de Ally, e a última vez que assisti a um episódio da série faz bastante tempo, mas assim que o top pintou ela pipocou na minha cabeça, e por ser tão marcante, mereceu entrar não só no top, mas no pódio e conquistar o bronze por uma série que teve muitas participações memoráveis (ex: Barry White, Al Green, etc).

2. Patricia Clarkson como Sarah O’Connor (Six Feet Under)

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Me diz que atriz faz 7 episódios de uma série e leva 2 Emmys como atriz convidada por isso? Só ela: Patricia Clarkson. Uma das minhas atrizes indies preferidas, PC entrou na série como a irmã maluquete-hipponga (a segunda do top! rs) da certinha Ruth Fisher (a maravilhosa Frances Conroy) e roubou a cena, feito nem um pouco fácil numa série com um elenco fodasso como aquele. Eu queria que ela tivesse participado mais, e que as cenas dela com Frances e Kathy Bates se prolongassem, porque eram excelentes e deixaram muito desejo de “quero mais”. Só não ganhou o ouro, porque a próxima é invencível! No fim do mundo só resta ela…e as baratas:

1. Cher como Cher (Will & Grace)

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Sério, não tem participação mais relâmpago, inesperada, e hilária que essa! Will, Grace, Jack e a boneca Cher saem para jantar, passam horas na espera, afinal, a boneca não vai se sentir confortável com todo mundo encarando ela. Presisava ser um local reservado. Finalmente sentados, Jack continua na obsessão e quem aparece pra dizer que ele precisa “Get a life”? A diva herself. Mas pra surpresa de todos, Jack diz ao “traveco-mister-sister” pra não se intrometer e ainda tenta ensiná-la a como imitar a entidade. Pra quem nunca viu, segue a cena. Ouro merecidíssimo do meu top de hoje!

Menção especial para: Kathleen Turner como o pai do Chandler (Friends),  Kate Winslet como ela própria (Extras), Isabella Rossellini como ela mesma (Friends), Alanis Morissette como uma qualquer (Sex and The City), Edie Falco e Chloe Sevigny como o casal lés (Will & Grace) e o único homem da lista, Steve Buscemi como Tony Blundetto (Sopranos).